terça-feira, dezembro 27, 2011

olhares furtivos.


Esta noite, não estiveste nos meus sonhos. Pensei que fosse um compromisso nosso, gravares o teu rosto na minha mente e por ali passeares-te enquanto eu repouso no silêncio da noite. Mesmo que te veja diariamente, nos sonhos revelas-te, tal como eu queria que realmente fosses quando estás ao meu lado. E senti a tua falta nas imagens que foram projectadas na minha cabeça. Não tinham a mesma cor ou o mesmo aroma sem a tua voz a repetir as palavras que eu tanto queria ouvir. Sem o teu perfume a encher-me o olfacto e a deliciar-me esse iludido sentido, as imagens perderam todo o significado e vi-me de repente numa equação que em tudo era semelhante a um livro sem vocábulos ou até mesmo a um filme a preto e branco. Olha, fiquei mesmo preocupada. Assumi que me tivesses prometido baixinho, por meio desses olhares furtivos que me entregas nos murmúrios do que queremos ser, que estarias presente em cada crepúsculo, em cada sonho a tentar-me cada vez mais. Se calhar eu deveria expulsar-te da minha mente antes que cada pensamento, cada memória, cada lembrança e cada desejo seja sobre ti mas bolas, acho que já sinto tanto a tua falta no meu coração que mais vale pedir para ficares do que tentar, infrutiferamente, expulsar-te do meu interior.

4 comentários:

Sayuri Okamoto disse...

quando sentimos que aquele vazio se torna preenchido por aquele estranho da vida, que se tornou presente e vivente do que nossa vida criou...

que lindo e profundo e revelador.


beijos e abraços

bruni disse...

oh querida muito obrigada, mesmo mesmo!

Carol Fernandes disse...

tu escreves bonito também, estou te seguindo frô. cheiro!

Filipe Ribeiro disse...

lindo... sem palavras*