Quinta-feira, Novembro 26, 2009

Nada.



Amanhece o dia e a tua respiração normaliza. A batida do teu coração diminui e o gelo percorre-te as veias.
Ergues-te confuso e morbidamente aborrecido com a simplicidade das paredes que envolvem o meu quarto. Mantenho os olhos fechados, os punhos cerrados.
Percorres o quarto, abres as gavetas da cómoda antiga. Colocas o relogio no pulso e sentas-te na cama. As molas reagem ao teu peso.
Sabes que finjo dormir. E eu continuo a fingir-me adormecida. Ainda assim, lamentas a tua chegada. Prometes que irás apagar o teu cheiro das frestas das paredes. Prometes que irás agir como se nunca aqui tivesses estado.
E tu finges tão bem. Sinto a língua colada no céu da boca. Sinto o fogo que me consome. A raiva. A mágoa. O abismo. E tu. Aqui tão perto.

Abro os olhos e fito-te. Silencias-te. Curvas os lábios num sorriso dorido. Sei-te todas as razões, todas as mentiras com que iludes o meu coração. Sei-te.
Deixo que o silêncio se entreponha entre nós. Deixo que o silêncio te pregue as pálpebras uma e outra vez.
Os teus olhos são ainda a minha perdição. O espelho onde te reflectes. Os meus olhos são ainda os lagos onde escondes a dor.

Deixo os dedos percorrerem os teus. Lentos. Firmes. Não estremeço. Sinto a tua respiração e o ritmo do coração, num batida tão nocturna. Mas agora, o Sol reina no mundo das nossas psiques, e ambos sabemos isso.
Beijo-te o rosto. As pálpebras (nega-me, por favor...agora... nega-me, afasta as minhas mãos dos sulcos do teu rosto... quebra tudo o que sobra de nós e dos dias em que fomos unos). Beijo-te as imperfeições.

Murmuras-me: "deixa-me partir, porque o sol já vai alto, e o mundo espera-me lá fora. deixa-me apaixonar-me por mulheres que nunca vi, por sonhos que não
senti, deixa-me ser tão teu noutro lugar que não dentro de ti. se continuares aqui, tão frágil, tão imensa, não conseguirei conter-me. deixa-me..."
E eu...vejo-te partir.
Com um sorriso quebrado e um uma desculpa banal nas mãos.

Aguardo a vinda da noite e a benção da solidão.
Quedo-me junto da tua fotografia.
Ainda. És. Meu.
Mesmo quando estou absolutamente só.

Terça-feira, Novembro 17, 2009

Gajas com brinde


Nunca hei-de perceber os gajos que procuram mulheres que ja tiveram filhos de outros homens.

As mulheres com filhos. Ou nas sábias palavras de um velho amigo: “gajas com brinde”.

De facto, porquê ser esquisito e procurar mulheres novas, com bom corpo e que não se colem muito, se podem, com algum grau de selectividade, optar por escolher uma mulher com um filho, ou se possível, com vários.

Não há prazer que se compare: conhecer a mulher, aprender-lhe os gostos pirosos, as manias rurais, os trejeitos que aprendeu na bomba de gasolina, a falta de cultura e de educação, a inépcia sexual, e, como “pièce de résistance”, os seu adoráveis rebentos. Não esquecendo a prenda eterna que o putos ofereceram à mãezinha: as estrias.

Os filhos: o fruto do seu amor, ou simplesmente da enorme e incontrolável vontade de foder sem protecção, com outro marmanjão, neste caso, o seu ex-marido.

Melhor ainda será se os ranhosos vierem sem pensão de alimentos acoplada. Além de aturar a obcecada e os fedelhos, ainda têm que contribuir e de que maneira para a educação dos mesmos, entenda-se chocolates, dvd’s do noddy e jogos da psp.

Quando eles crescerem, podem ver o seu guito ir direitinho para as doses de castanha, as putas sebosas que os irão, certamente, chular e as coimas, cauções e multas, fruto das suas profícuas e estáveis relações com o sistema judicial.

Até podem ter a sorte dos gajos serem cumpridores da lei. Nesse caso vaõ, provavelmente, passar o dia no sofá a ver tvshop e a foder-vos o papel, depois de ter sacado o número do Visa. Umaa espécies de Alfs, mas sem piada nenhuma.

De qualquer forma, vão com certeza sair ao paizinho, que deixou bem patente toda a sua virtude quando disse à mãe da criança que ia viver para a Polinésia Francesa nos próximos 40 anos, assim que ela lhe disse que estava com um tipo novo.

Sendo certo que o panorama pode parecer negro, não deixa de ser verdade que não há nada mais belo do que ver uma criança crescer, sobretudo se for longe de mim, num colégio interno ou mesmo numa Tutoria.

Mas tendo em conta que os homens nem sempre são de pedra, e mesmo sabendo que o filho não é seu, e que alguém fodeu, por vezes em quantidades apreciáveis, para aquela coisa nascer, eles também têm sentimentos.

E se amar de verdade a mulher, é capaz de aceitar tudo dela. Desde que ela o ame de volta, que cozinhe com perícia, que não foda com mais de 2/3 dos condóminos do prédio e não faça muito barulho a pinar, porque eles não tem dinheiro para insonorizações; pouco importa as cenas que lhes façam ou que partam a loiça lá de casa após berrar que se oiça no outro lado da cidade.

O marmanjo come a gaja, não fode interruptus, caga nela, nunca mais lhe liga,bate-lhe até lhe deixar as trombas cheias de rugas, balda-se às obrigações da paternidade e põe-se ao fresco, com eles vazios e com um sorriso de alívio permanente.

Depois, vêm tipos de olhos azul mar, com uma auréola brilhante, perfilham o puto, daõ amor, compreensão e atenção à mulher.

Vantagens: ver os putos crescerem, constituirem uma família, os benefícios fiscais, fazerem a mãe feliz, o fim da solidão.

Desvantagens: todas… e mais alguma que me possa esquecer de momento.

Para verem um puto crescer podem fazê-lo a uma distância segura, como no caso dos sobrinhos, vizinhos e putos vagamente conhecidos que apanham anualmente no autocarro.

Haverá coisa melhor do que verem periodicamente uma criança, e poderem elogiá-los sentidamente com um: “estás tão grande, nem te reconhecia!”

Claro que a versão correcta seria: nunca vi um monte de merda tão grande, ainda por cima a andar e a falar, ainda que por monossílabos e interjeições suburbanas.

Uma família é sempre giro. Mas é amplamente preferível tratarmos bem dos nossos velhotes. Darmos atenção aos pais, pagarmos-lhes as contas inesperadas e volta e meia comermos com eles e trocarmos umas ideias sobre amor ou sobre a novela da TVI. É só vantagens, afinal até gostamos deles, eles puseram-nos neste mundo e, com jeitinho, poupamos uns valentes trocos em comida e lavandaria.

Isto não se aplica se tiverem tido a infelicidade de, também, terem nascido bastardos e terem sido educados à lei do cinto ou obrigados a pedir num semáforo dos 6 aos 12 anos, sob sol escaldante ou chuva impiedosa.

O mal dos homens é tentarem, inexplicavelmente, fugirem ao seu destino biológico. Em vez de se agarrarem ás melhores decisões, escolhem tipas problemáticas, na meia idade que só lhes lixam a cabeça.

Por último, a solidão é de facto um razão de peso para, num momento de desespero e falta de forças, se atracarem a uma badalhoca com brinde.

Muitos gajos, com o avançar da idade, da alopécia e das sucessivas desilusões amorosas, da quantidade e qualidade das erecções, cedem ao óbvio e tornam-se presas fáceis destas vacarronas.

Não tenho soluções milagrosas nem explicações para o facto de se agarrarem a estas chupistas a dobrar. Caso se sintam mesmo sozinhos optem por uma sem filhos. Provavelmente vai-vos foder o caroço e a paciência, na mesma, mas pensem na catástrofe que seria serem comidos por dois ao mesmo tempo.

Sejam imaginativos, inovem, contornem a solidão. Arranjem hobbies. Porquê complicar, se já existem alguns seculares. O alcoolismo e o onanismo, só para citar alguns.

Há séculos que os homens são burros e pensam com o orgão inferior, nenhuma novidade neste sector, mas ao menos surpreendam-nos.É certo que após a ejaculação solitária e na ressaca da bebedeira as coisas podem parecer muito sombrias, mas pensem como estariam bem pior servidos se, além de bêbados e punheteiros, ainda tivessem que aguentar uma mantelhona chata como tudo e os respectivo filhos da puta (literalmente).

Em conclusão, nunca sigam o exemplo do meu respeitado e amado amigo H.

:)

rosas azuis


Hoje sonhei contigo.

Sonhei que estavas comigo e sorrias. Estávamos deitados, agarrados no escuro enquanto me percorrias a face com a tua mão meiga. O brilho dos teus olhos iluminava-me as sardas, à medida que as contavas. Com a ponta dos dedos, seguias e unias a melanina irregular em busca da palavra "amo-te".

Eu retribuí, desenhando o arco perfeito das tuas sobrancelhas, antes de descer em busca dos lábios magistrais que me desejavam em surdina, quase que em silêncio absoluto. Mas eu sempre os li, mesmo fechados. Li os intermináveis “adoro-te” e “amo-te” com que me mimaste até ao fim do sonho.

Sonhei que me chamavas amor sem parar, o repetias vezes sem conta, quase compulsivamente, até eu adormecer e acordar, de novo, ao som dessa palavra. Inigualavelmente doce quando pronunciada por ti.

No sonho, dizias que me adoravas, que te alimentavas da minha essência. Perguntavas como te tinha fugido tantos anos.

O sonho alongou-se como que por magia. Aproveitámos e fizeste amor comigo mil vezes, pontuadas por um milhão de beijos, de carícias, festas e toques repletos de ternura.

Sonhei que me deixavas ancorar no teu olhar. Asseguraste-me que podia fazer dele o meu porto de abrigo, o meu refúgio. O templo do sentimento que respeitei com devoção religiosa.

Sonhei que percorríamos a cidade mágica que a ambos viu nascer. Sentíamos a nossa comunhão, a proximidade, o afecto, a preocupação genuína.

Dei-te rosas azuis, busquei-as incessantemente, tal como procurei dentro de mim a superação para te encontrar, conhecer e satisfazer.

Atenta e cuidadamente, dei-te prazer de formas ainda não imaginadas.

Depois, sonhei que cozinhavas para mim, que comíamos enquanto fazíamos planos, trocávamos juras de amor, sempre de mão dada, enquanto esperava ansiosamente que o teu olho piscasse, como que em busca da certeza definitiva que tudo era real.

Sonhei que me servias martini, gelado e vinho italiano. Que me repreendias, embevecido, a forma descuidada e despretensiosa como comia.

No sonho rias-te das minhas piadas, das minhas palavras traiçoeiras. Deduzias a intenção escondida e nunca as levavas a mal porque sabes que sou uma menina, a tua menina.

Mergulhavas de cabeça nas minhas frases, verbos, metáforas. Banhaste-te vezes sem conta nos adjectivos que te ofereci com uma sinceridade que não acreditava possuir.

No final da noite leste-me o âmago, desvendaste-me os segredos, um por um, um atrás do outro, num adorável efeito dominó.

No fundo, confirmaste o que já sabias, que já nos amávamos antes de os nossos olhares se fundirem pela primeira vez, de nos tocarmos lenta e delicadamente como quem limpa uma lágrima, que já éramos amantes ainda antes de ter percorrido, explorado e fixado residência no teu corpo.

No sonho disseste que nunca me deixarias, que foste feito para mim, que encaixávamos na mais perfeita das harmonias.

Abraçaste-me até eu deixar de ter medo, Adoptaste-me, acolheste-me. Contigo aprendi o caminho para casa e a chamar-te meu.

Adoravas-me, amavas-me, atingiste-me numa espiral de paixão ímpar. Como a ninguém, antes, agora ou daqui para a frente.

No sonho, há uma parte deliciosa: Enroscavas-te suavemente em mim, abraçavas-me avidamente como quem agarra a vida.

Disseste que me seguias para onde eu fosse. Que deixavas tudo, o mundo, os lugares, as coisas, as tuas reservas, dúvidas e medos.

Eu e tu seríamos amor. Longe ou perto, por vezes sem mim, outras sem ti, mas sempre juntos. Num plano só nosso, que baptizaste, sábia e apaixonadamente, de reencontro.

Derrotaríamos o tempo e o espaço, ultrapassaríamos as nossas diferenças, as falhas de comunicação, os ruídos e as desilusões passadas.

Seríamos invencíveis, porque estávamos destinados a ser homem e mulher, menino e menina, amigo e amiga, amantes eternos.

Bruscamente, o sonho parou e despertei assustada, sobressaltada, invadida por um medo desolador. Virei-me para o lado e tu não estavas. Não deixaste um bilhete, carta ou uma mensagem no meu telemóvel.

Esqueceste-te amor?! Certamente não o fizeste com intenção. Acredito cegamente que nunca o farias. Nesta fase, sinto dor, medo, frio, solidão mas reencontro conforto no alívio de ser apenas um sonho.

Nada mais me resta senão voltar a adormecer. Até acordar de novo, entrelaçada no teu corpo mágico, alimentando-me da doçura da tua pele e respirando o hálito inebriante que teimo em inspirar directamente dos teus lábios. E aí sim, poderei voltar a sonhar.

Noite


Às vezes aqui é noite.

Ás vezes o sol da minha vida escurece-me o olhar.
Às vezes esse sol franze as sobrancelhas
e vira-me costas e aí, às vezes é noite.

O céu transforma-se unicamente para mim,
ganha vida, autonomia e afinal, fico só.

Às vezes é Noite.

Nessas noites, que afinal são dias disfarçados de dor,
tu não vens e eu não te procuro.
Nessas noites, não sei sorrir e não me permito sonhar.

Hoje é de Noite.

Hoje a razão ocupa-se contigo,
com o teu dia e com o modo como o passarás.
Hoje escrevi-te uma carta porque sinto a tua falta,
mas tu nada disseste.

Hoje sinto-me parva e só
e, por isso, é noite em mim.

Podia dizer que não quero
mais choros nem tristezas,
que quero o sol a entrar-me pela janela,
mas quando o meu sol és tu,
e quando tu não me sorris, basta-me uma única opção,
aceitar a noite em mim.

Amo-te porque sempre te amei,
quero-te porque sempre te quis,
não te tenho porque nunca te tive...

talvez porque o sol e a noite nunca se vêem,
também tu nunca serás meu...

Irregular


Diz-me: se eu te ligar sem lhe contares, será irregular?
Pensar em ti, imaginar-me a percorrer-te o corpo…
É aceitável?
Ter vontade de te ter? É anormal?
Render-me ao teu perfume, à textura da tua língua. Estarei em infracção?
Esperar que me adoçes com os teus beijos, ansiar estar contigo de novo.
Desejar-te, querer fazer de ti o meu campo de jogos, recriar-me, inventar, aperfeiçoar técnicas ancestrais…
É mesmo irregular? Podes repeti-lo enquanto me olhas? Não vale rir.
Explica-me as regras, não as conheço. Estamos a jogar o mesmo jogo?
É irregular segurar o teu rosto enquanto a minha língua procura a tua?
Seguir-te os contornos delicados e desembocar na saliva que já foi minha.
Será errado? Já não sei o que é certo.
Confundes-me, deixas-me à toa. Mas ainda sei o que quero.
Não me julgues ou condenes.
Irregular? Onde foste desencantar isso?
Altamente irregular? Provavelmente, se for proporcional à forma como te desejo.
Adverte-me, admoesta-me, pune-me mas não me excluas.
Dá-me liberdade criativa, rende-te ao meu toque, não resistas.
És o meu objectivo. Serás meu, regular ou irregularmente.
Sem defeitos, vícios ou causas de anulabilidade. De facto e de direito.
Entrega-te…
Ouve o eco do meu beijo, sente o trajecto que os meus dedos descrevem no teu corpo,
o sabor do meus olhos, o aroma das palavras.
Achas esta descrição irregular, não respeita as regras?
Esquece isso e deixa-me ser a tua irregularidade favorita.

Terça-feira, Outubro 27, 2009

amar-te quando não és meu...


Hoje como de costume só pensava em ti, e em ti, e em ti. Se soubesses as saudades que tenho , meu menino lindo…. Mais uma prova do quanto é difícil não te ter a meu lado. Cada segundo que passa só desejo estar contigo.

Sabes, sempre que me passeio pelas ruas desta nossa cidade meus olhos por pouco não conhecem as lágrimas. Sabes porquê? Porque imagino como seria passear contigo e só contigo, a olharmos para o mar com a lua cheia bem lá no alto a iluminar a areia branca. Mas isto vai muito pra lá de um passeio, tem um significado diferente e muito mais profundo: o estar ao teu lado, o estarmos juntos, o vivermos juntos. Nós.

Imagino como seria sempre que me viesses buscar, no nosso fiat, à minha casa para irmos passear de mãos dadas. Imagino como é brincar contigo, deitarmo-nos na relva, levares-me a jantar fora. Imagino só nós os dois abraçados e bem agarrados, onde os nossos ventres se conhecem bem juntinhos e se aquecem. E então quando te estreito forte junto a mim, paramos ambos de respirar. E assim abraçados ouvimos os nossos corações a baterem fortemente e impiedosamente um pelo o outro e sentimos a respiração um do outro no pescoço. Foi nesse momento que não precisei imaginar, porque rapidamente te senti. E vi bem à minha frente os teus olhos brilhantes, azuis e profundos, os mais lindos do Mundo, fixados nos meus a meros centímetros de distância. Senti teu carinho e ternura, o calor do teu corpo, minhas mãos a envolver-te e a amparar-te o corpo. E foi ai que decidi que quero estar ao teu lado nos bons e maus momentos, quero limpar tuas lágrimas quando chorares e quero fazer-te rir quando estiveres triste. Tornei-me o teu forninho que te aquece quando estás frio e o anjo que te protege quando estás indefeso e saturado da vida que escolheste.

Senti o nosso amor, e para isso não existem palavras.

Só não chorei de alegria logo neste momento porque ias ficar chateado comigo. Mas garanto-te que se fosse eu a tua companheira, eu não me conteria, eu abraçar-te-ia e dizia ao teu ouvido o quanto te Amo. E chorava de alegria por Deus ter colocado na minha Vida o rapaz e o homem mais maravilhoso que eu alguma vez poderia imaginar, sonhar ou pedir. Chorava sim, porque após 12 anos finalmente sei o que é Amar alguém. Sei o que é o Amor Verdadeiro e Puro. Neste preciso momento, se houver alguém que me pergunte qual o significado de amor, responderei com a única palavra que o descreve com total perfeição: o teu nome.

Sim, tu tornaste-te para mim o Alfa e o Ómega. Pensar simplesmente em ti, e meu coração acelera e palpita, minhas mãos suam, meus olhos brilham, minhas pernas tremem e meu corpo se arrepia. Tornaste-te assim o rapaz mais importante de toda a minha vida.

Amor, quão felizes poderiamos ser juntos, nossas sombras juntar-se-iam e nunca mais se separariam. Tantos são os sonhos maravilhosos que tenho, e todos eles eu gostava de poder partilhar contigo, és parte deles, e garanto-te que se estivesses a meu lado, iriamos concretiza-los todos.

Sonho num futuro ter filhos tão lindos e únicos como tu, e que pai maravilho eles iriam ter. Já vi o quanto consegues ser carinhoso com aquele miudo. Sonho viajar pelo Mundo, por todos os lugares e esconderijos, e viver todas as aventuras possíveis, e que companheira segura ias ser nesta Vida. Sonho descobrir contigo todos os segredos e felicidades, e que belo amante serias. Sonho casar-me contigo na praia, namorar-te eternamente, viver junto a ti e fazer-te feliz até ao fim dos nossos dias. Que belo sonho tu és. És a única pessoa com quem sonho um presente e um futuro que não se conseguem descrever de tão belos que são. Mudaste-me, e nunca me senti tão sozinha quando soube que as coisas não eram bem assim...

E… É tão estranho, sinto arrepios pelo corpo todo. Eu estou apaixonada por ti. Eu amo-te mais que tudo. Amo cada pedacinho teu. Cada coisinha tua, por mais pequena que seja, é para mim tão especial… Cada pedacinho teu é um motivo de orgulho para mim. Amo-te assim como és, sem mudar nada, eu Amo-te por inteiro.

Amo-te incondicionalmente.

Às vezes não consigo sequer explicar o que sinto por ti. Humm, estranho… Mas já sei porquê. Afinal nós ultrapassamos as palavras nao foi paixão? Sim. Ultrapassamos mais que as palavras. Ultrapassamos a própria palavra Amor. Conseguimos ultrapassar metas inalcançáveis juntos. E eu garanto-te, eu por ti realizo impossíveis. Alcançamos juntos cumes outrora inalcançáveis e alcançaremos muitos mais. Por ti andaria as distancias que ja percorri multiplicadas por numeros infinitos...

Agora, a minha vida resume-se simplesmente a ti, por completo. Acordo todos os dias só para puder te ver.

Podiam arder todas as florestas, podiam secar todos os mares, podia tudo se transformar em deserto, podia tudo desaparecer. Eu ignoraria quase como que uma criança ingénua. Podia desvanecer tudo, desde que sempre te tivesse a meu lado. Desde que nosso amor permanecesse. E sei que vai permanecer sempre, pois não existe nada tão forte neste Mundo. Nem ninguem que nos consiga separar por muito tempo, seja quem for. Às vezes chego a pensar como é que um anjo como tu pode sentir algo por mim. Só quero que saibas que és já parte de mim, da minha Vida, do meu ser. Quero que saibas que meu coração é só teu, de mais ninguém. Quero que saibas que poderia fazer de ti o rapaz mais feliz do Mundo. Quero que saibas que sempre que estou contigo só me apetece beijar-te, mesmo que só a tua face pálida e perfeita. Quero que saibas que quando te digo “Amo-te” digo-o com todo meu fôlego, com todo meu Amor, com tudo o que sou, com toda a verdade pura.

Dá-me a tua mão, pois tu és o sonho que quero viver, o mundo que quero descobrir, o coração e a alma que quero fazer feliz, o sol que escolho para iluminar minha vida. Vamos rir e chorar juntos, vamos superar a morte e vamos viver e celebrar a Vida e tudo o que ela tem de maravilhoso.

Bem, já esta a ficar tarde.

Olho agora o céu estrelado, e incrível, vejo-te a ti. Acredita, não existe nada assim entre duas pessoas. Sabes, quero sentir isto para sempre, este amor… puro e perfeito.

Repara, ambos habitamos nos mesmos lençois, ainda que não seja na minha cama que dormes. Deixa-me abraçar-te e te aquecer durante a noite, não tenhas medo, eu estou aqui ao teu lado. Vamos juntos dormir em “conchinha”.

Amanhã vais acordar entre os meus braços, e eu acordar-te-ei com um beijinho e com um sorriso, meu menino lindo.

Ah…. E mais uma coisa "gajo bom"

Esta tua "gaja" Ama-te :)

Quarta-feira, Setembro 23, 2009

nothing left for us.


I had told him that I loved him, and I would love him forever, that I would find some way for us to be together, that everything would be ok.
But he’s getting married today.
And I am not the bride.

Quinta-feira, Agosto 20, 2009

Eu só queria...


Porque eu o amo e se quiser até posso adormecer noutros braços, mas o meu coração pertence-lhe, mas ele não percebe e apenas permanece a rapariga sonhadora que olha para ele quando parece estar no seu mundo de pensar… Enquanto adormecia, só me apetecia ficar o resto da vida a olhar para ele, para a sua beleza, mesmo que de olhos fechados,nao lhe pudesse ver os lindos olhos.Principe desencantado ele… Contemplo o sol, durante o dia e agora apenas observo a lua, enquanto os dias se sucedem eu apenas pergunto se algum dia ele alcançará o que eu estou a sentir… Quem inventou o amor, deu-nos um dos maiores dons, por nos podermos sentir autenticos, genuinos… mas uma das piores dores é também não poder tocar o mundo de alguém que nos toca a alma a todo o momento… Não dá para explicar de outra maneira, mas eu poderia gritar aos ventos que o amo, que preciso dele assim tanto… É tudo uma grande lamechice, mas verdadeiro, ele não iria perceber talvez até risse do que consideraria baboseiras, mas o significado do que estou a sentir é a essencia disto e por isso eu poderia correr as ruas de uma cidade qualquer e gritar pelo seu nome, nos meus sonhos ou na realidade… Por favor não voltes a magoar-me assim, eu apenas te cobro a tua amizade, não me fales nela quando estás comigo nem te refiras á tua vida perfeita ao seu lado. Não tens que me magoar nos poucos momentos que temos juntos, pois não?
Vou-te raptar para os meus sonhos menino especial…..

Eu…..

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

A culpa é minha.


A ferida não se fecha
o sangue verte copiosamente
e a dor, essa, de facto dói.
Mas se sou eu mesma que me firo
se há chagas no corpo
e na visão o sentimento
é ele que acalma outra dor
provoco dor pra amenizar a dor
a dor é minha,
a culpa é minha
e coloco-a em quem eu quiser…

Terça-feira, Agosto 11, 2009

Your heart was dying fast


ÁS VEZES PARECE-ME QUE TENHO VIVIDO NO SONHO DE OUTRA PESSOA, NUMA VIDA PERFEITA, EM TODAS AS COISAS QUE NÃO DISSESTE QUANDO ASSUMISTE UM COMPROMISSO, E EU FECHEI A PORTA A TODOS OS HOMENS QUE ME PUDERIAM TER AMADO MUITO MAIS QUE TU.

Já tem algum tempo que te vi e mais ainda que falámos;lembro-me disto enquanto atravesso o longo corredor do salão onde nem devia estar.Estamos no inverno, faz frio lá fora mas nesta imensa e sombria mansão, o ambiente é caloroso e todos parecem infinitamente felizes.
Vejo-te com um copo de champanhe na mão,sorrindo com a tua noiva ao teu lado, a mão dela perfeitamente arranjada pela manicure percorrendo delicadamente a tua cintura. Começo a me sentir enjoada. Já terminei a quarta flute de champanhe desde que cheguei á duas horas e neste momento, enquanto vejo a felicidade patente no seu sorriso em resposta a algo que a tua mãe lhe disse, a minha mente implora-me por gin. O champanhe já não faz efeito algum. No entanto, considerando que estou num evento supostamente cordial e respeitável, não ha vodka, whisky, ou até mesmo vinho seco ou tinto para disfarçar os meus nervos, contento-me com uma quinta taça de champanhe enquanto miro os empregados em uniforme a desfilar com as suas douradas bandejas.
Não era suposto eu estar aqui, de modo algum; há muito tempo que não faço parte da tua vida, portanto ser convidada para a tua festa de casamento seria provavelmente a última coisa que estaria á espera. Claro que não foste tu que me convidaste, claro que não. O destino quis pregar-me uma partida desumana ao planear que eu aparecesse num dos mais formais copos d'agua financiado pelo irmão do noivo. Aliás, o destino já havia sido suficientemente cruel ao permitir que minha prima, sangue do meu sangue viesse a namorar e posteriormente tornar-se noiva do irmão do homem que eu sempre amara. Obviamente, havia sido minha prima a me enviar um ornamentado e perfumado envelope que ostentava a obrigatoriadade da minha presença na malfadada festa... Sendo extremamente sincera, sabendo que um dos seus melhores amigos estava extremamente interessado em me saltar para cima, não hesitei quando o mesmo me convidou para ser o seu par neste evento. Nem pensei nas consequências. Era uma desculpa para ir ás compras e desfilar com uma roupa lindissima - era razão quase suficiente para mim. Mais ainda, quando nos encontrássemos, poderia fazer a pergunta que nunca fiz - "PORQUÊ ELA?" Foi demasiado cruel sair do elevador demasiado glamorosa, convencida que tudo iria correr bem, sentindo-me minimamente confortável na minha pele, apenas para me deparar com a cara da tua mãe a olhar para a orquestra ao vivo.
A minha taça de champanhe está desastrosamente quase vazia e o meu pseudo-namorado (porque supostamente naquele dia éramos um casal)estava a tentar engatar uma das amigas da noiva. No decorrer da tarde havia sido apresentada fui apresentada a um casal amigo dos noivos,apertando gentilmente as mãos dos dois e suplicando que os meus olhos não estivessem demasiado maquilhados. Notei que o fato do rapaz era obviamente caro, feito á mão e ficava-lhe imensamente bem, enquanto a sua esposa usava pestanas falsas demasiado longas que assustariam a maior parte das crianças. Ambos pareciam demasiado austeros, da maneira que apenas familias de alta sociedade costumam ser. Sorriram-me de forma bastante contida,elogiando o longo vestido vermelho que eu envergava e que eu tinha comprado especialmente para esta ocasião e logo depois afastaram-se subtilmente á procura de convidados com conversas mais interessantes para partilhar.As minhas costas descansavam agora na ponta extrema da mesa com a comida,cobrindo os garfos, e de repente apercebo-me de quão apertado me ficava este vestido.Já pela segunda vez no decorrer da cerimónia, sinto que vou ficar enjoada.
Não consigo evitar olhar para o teu noivo; parece saido de um sonho, parte de uma peça de teatro,em que eu faço parte da plateia sem saber qual o tema.Por breves momentos, eu consigo esquecer-te e observar-te objectivamente ao mesmo tempo que elogio o teu progenitor com o qual fizeste entretanto as pazes e tentaste impressionar com a rapariga que achaste ser muito melhor que eu.Talvez tenhas razão. O cabelo dela está mais bem tratado que o meu, com madeixas louras com tons de mel perfeitamente executadas, sinto o meu sangue a ferver de inveja. Ela parece extremamente confortável nos seus sapatos Jimmy Choo com salto agulha de prata, apoiando-se sem pudor nenhum no teu lado direito,mão esquerda á volta da tua cintura a mostrar o diamante Harry Winston que pertencera á tua avó. Eu nunca, mas mesmo nunca conseguiria usar sapatos Jimmy Choo e aquele anel nunca, mas mesmo nunca ficaria bem no meu dedo. Quanto mais ela sorri e ri-se ( com o tipo de facilidade que prova que ela nem se está a esforçar,ela está mesmo a ter o melhor dia da vida dela), mais eu a ODEIO. Consigo ver pela sua maneira de estar que ela não faz a minima ideia que eu estou presente. Mas considerando que há uma hora atrás ela disse-me o quanto adorava os meus brincos enquanto todos comiam aperitivos, penso que a teoria mais apropriada seria que ela não sonha sequer quem eu sou.
Não te culpo por não lhe contares quem sou eu;se lhe contasses,consigo ver ela se tornar no tipo de mulher que não tem ciumes nenhuns (ou talvez não). Essa é outra razão que me a faz odiar tanto. Ela parece agora tão confiante, tão segura ao teu lado agora que acedeste ao seu pedido de casar, que imagino que se lhe falasses de mim, da tua ex-amante que amaste infinitamente e a quem ensinaste tudo o que existe neste mundo, ela mostrar-se-ia ligeiramente perturbada e replicaria " eu confio o suficiente em ti" e ficaria contente por teres alguem assim no teu passado. Ela nunca, mas nunca esperaria pela oportunidade de mexer no teu telemovel para ver o registo de chamadas ou as sms recebidas/enviadas, nem acederia ao teu msn e hi5 para ler conversas entre nós. Nunca telefonaria aos nossos colegas do secundário para lhes perguntar como era a nossa relação na altura. Todas estas seriam reacções tipicas da minha parte. Consigo sentir o meu coração reduzir-se á sua insignificância e com ele vai-se a ultima gota de champanhe, ficando apenas com o copo vazio na minha mão.
Finalmente, sorrateiramente por trás, sinto uma mão a me tocar no cabelo, descendo para me tocar na pele nua,ate que vejo que se trata do meu pseudo-namorado. Para manter as aparencias,ele vem ocasionalmente ter comigo e comporta-se como um namorado dedicado, desculpando-se por me deixar sozinha demasiado tempo enquanto fala com os convidados que conhece na sua maioria, ao contrario de mim. Os restantes convidados têm espelhado nos olhos os seus pensamentos :que fazemos um bonito casal, e algumas mulheres até pensam e comentam quase sussurando que consegui curar o mulherengo e mantê-lo fiel. Naquele momento, em vez de me beijarna face como de costume, ou oferecer-me um bombom, deu-me mais uma flute de champanhe e inclinou-se na direcção do meu pescoço sussurando-me ao ouvido: " OBRIGADO POR TERES ACEITE SER A MINHA COMPANHIA ESTA NOITE." Conseguia adivinhar em que estava a pensar."ESSE VESTIDO FICA-TE MARAVILHOSAMENTE BEM, MAS MAL CONSIGO ESPERAR PARA O DESPIR. JÁ ESTOU A DELIRAR AO IMAGINAR TODAS AS COISAS QUE PODERIA FAZER PARA TE AGRADECER." Ao proferir estas palavras,afastou-se e beijou-me a face tão rapidamente que nem senti o beijo, quanto mais a sua mão no meu rabo que demorou 3 longos segundos, e mais uma vez desapareceu por entre a multidão. Levei a mão á cabeça,deixando a tensão do momento arrefecer por debaixo do cabelo e tomei outra bebida.
Não sei quanto tempo fiquei ali imóvel,incapaz de planear uma saida daquela mansão. Era tortura, estar ali sentada, vendo-te falar com os familiares dela de uma maneira que o homem que eu amava nunca faria. Quando eu te conhecia, quando eras meu, detestavas este tipo de vida :casamentos, compromissos, nunca tinhas assumido rigorosamente nada com ninguem. Nós eramos novos e estupidos na altura em que nos conhecemos e eu sentia-me extremamente atraida por ti embora sempre o tivesse negado.
Nunca houve nada nessa altura porque já então não era eu a pessoa ideal para um compromisso.
Pelo que vejo da tua nova conquista, duvido que ela consiga tomar banho em menos de trinta minutos. Juntos aposto que eu e tu conseguiamos entrar e sair em quinze minutos (sabes, se tivessemos mesmo a tomar banho e não a fazer coisas pervertidas, apenas no duche juntos porque assim poupariamos imensa agua e... alguma vez perderiamos a oportunidade de vermos os nossos corpos nus?) Apenas o cabelo perfeito dela deveria levar o tempo que nos haviamos idealizado, com as suas raizes descoloradas e volumosas e caracois com estilo sem esforço algum. Ela é muito mais magra que eu, facto que ainda me faz gostar dela menos e ela parece tão... tão esculpida.PERFEITA. Não admira que a tua mãe a tenha abraçado tão efusivamente, tão abertamente quando se cumprimentaram. O teu pai até te cumprimentou com um aperto de mão, dando-te uma palmadinha nas costas, o tipo de gesto familiar que nunca vi enquanto era eu que estava a teu lado. Aqueles anos que nos separaram tinham claramente mudado toda a tua vida; parecia que agora, enquanto eu ficava deslumbrada pela tua beleza de noivo perfeito e moldado para uma vida de casado, que EU não tinha mudado nem um pouco.
Após isto, eu não poderia suportar muito mais. Pousei o meu copo vazio na mesa e envolvi os meus proprios braços á volta do peito, um mecanismo de defesa que eu só usava quando discutiamos. Virei as costas e afastei-me da mesa, de todos os convidados a vos dar os parabens por um casamento tão bonito e abençoado pela chuva que se fazia ouvir neste sombrio dia de Novembro. Perguntavam incessantemente para quando um irmão ou irmã para os dois filhos dela,desta vez sendo ele o pai. E afastei-me cada vez mais até deixar de ouvir qualquer conversa. Precisava de um sitio silencioso, frio, onde eu poderia me sentar e fingir que estava noutro sitio qualquer. Não olhaste para mim o dia todo- duvido que soubesses que estava aqui. O meu "namorado" nem me viu quando passei por ele, afastando-me da multidão,procurando uma casa de banho ou o armário, ou um portal do tempo onde eu me pudesse perder. Porque eu sou assim e porque eu estava a me afogar em pena de mim propria e inveja que me poderia literalmente tornar verde, agarrei em mais duas taças de champanhe de um empregado que passava ali perto e meti-me na primeira porta que encontrei, fechando-a logo que entrei.
Nem me importava estar no armário da limpeza (ao menos não seria encontrada). O chão estava cheio de baldes e garrafas. Sentei-me num banco ao fundo (estava surpreendida o quão espaçoso poderia ser um armario,sem ser propriamente um quarto)tirando os meus sapatos desconfortaveis.Respirei de alivio, os meus pés e o meu coração já nao estavam sujeitos á crueldade do destino. Enquanto estava ali sentada, no meu vestido semi-formal é quando eu finalmente decido ficar enjoada. Não era o tipo de má disposição impregnada pelo constante consumo de bebidas alcoólicas, mas pior ainda, causada pela minha baixa auto-estima e inveja desmesurada. Era eu que deveria estar ali.Queria o meu lugar de volta. Aquele era o meu sobrenome, a minha vida,o meu mundo, deveria ter sido o meu anel Harry Winston até que tudo mudou sem sequer me dares uma razão válida (nem seque uma razão se deste, muito menos válida). Um dia percebeste que eu não era suficientemente boa para ti; que merecias melhor.
Levaste o tempo que eu levei a beber as duas taças de champanhe a entrar no armário. Quando a porta abriu, pensei que tinha sido apanhada - talvez a empregada tivesse vindo buscar algum produto ou o meu suposto namorado tinha descoberto a minha ausencia. Nem sequer olhei para cima quando ouvi a maçaneta da porta a rodar,apenas senti algumas madeixas do meu louro cabelo que havia levado vinte minutos a arranjar deslizarem para a minha cara. Deve ter funcionado,porque quando ouvi alguem chamar o meu nome, com uma voz tão familiar que eu seria capaz de reconhecer em qualquer parte, levantei a cabeça e afastei o cabelo. E ali estavas tu. Estavas parado á minha frente, tão venenoso e perfeito, como sempre foste, num fato que eu teria jurado que nunca usarias. Sorriste-me e estendeste-me a mão.Os meus olhos olharam para cima para os teus,curiosos, perguntando-me, mas antes que o meu cerebro pudesse assimilar o que fazias tu exactamente metido num armário no dia do teu casamento com a tua ex-colega, ex-amiga,ex-namorada,ex-amante, já estava a entrelaçar os meus dedos nos teus.
Não demoraste tempo praticamente nenhum a me tirar o vestido. Foste provavelmente mais eficiente do que o pseudo-namorado teria sido mais tarde. Apenas alguns fechos e um laço desfeito e ali estava eu, roupa interior descoberta, enquanto o teu sorriso aumentava. A unica covinha que tinhas, esforçava-me eu por alcançá-la... sempre foi a minha parte preferida em ti, a par com os teus lindos olhos cor do céu. Era este o ambiente mais calmo que eu iria ter. Após isto, foram um rodopio de caricias, as minhas mãos alcançando a fivela do teu cinto, as tuas maos desapertando o gancho na parte de trás da lingerie pela qual paguei uma fortuna(e passei demasiado tempo desejando que tu a visses).Até hoje não sei porque aconteceu - simplesmente aconteceu.Havia demasiado alcool no meu organismo e tu estavas demasiado delicioso no teu fato, conseguia perceber porque a tua noiva nunca te deixaria em paz. Mas durante aqueles vinte minutos, com as minhas costas encostadas á parede, uma perna no banco,ainda de saltos,com as tuas calças pelos tornozelos e um sorriso na cara.

FOI PROVAVELMENTE O MELHOR SEXO QUE FIZEMOS.

Quando tudo acabou,(depois de teres posto a tua mão na minha boca para oprimir o grito que sabias que iria dar), fiquei a olhar para ti enquanto te vestias. Sentia-me terrivelmente culpada e voltei a por as mãos á volta do meu peito, metendo-me de volta no meu vestido, o melhor k conseguia sem mostrar demasiado. Naquele momento, no entanto, de costas voltadas para ti, beijaste o meu ombro e puxaste-me o vestido para sempre apertando o fecho e refazendo o laço. Afastaste as minhas maos do meu peito e puseste-as ao meu lado por breves momentos, nao me olhando nos olhos, num momento de ternura indescritivel.Puxaste-me para ti e abraçaste-me com a força de quem abraça quando sabe que o mundo vai acabar... Senti lagrimas nos meus olhos. E nos ultimos segundos que te vi antes de terminar o teu copo d'agua e partires em lua de mel,antes de voltares a trabalhar na oficina de mecânica, antes de teres dois filhos, antes de morreres numa idade avançada durante o sono, gentilmente viraste-me , beijaste-me a testa, acaraciando-me a face como tantas vezes antes fizeras. Inclinaste-te uma ultima vez em direcção ao meu ouvido e sussurraste naquela voz rouca que tanto adoro: "FUI EU QUE TE ENVIEI O CONVITE..."
Apos partires, chorei.Chorei e chorei e chorei naquele armário, no banco, naquele vestido vermelho, as lagrimas a cair no tecido até o meu par me encontrar devido ao desespero que se ouvia através das paredes. Pela altura que voltámos para o salão principal, tu e a tua esposa já tinham partido há algum tempo.O meu coração partiu-se, com cinco anos de atraso, finalmente acordando para a realidade, sabendo que aquela foi a ultima vez que te vi e a primeira vez que me apercebi verdadeiramente que tu tinhas finalmente e derradeiramente partido e que nunca, mas mesmo nunca serias meu...

Leave the lights on


É quando te enroscas por debaixo dos lençois, sentindo cada gota de sangue a percorrer o teu gelido corpo, que sinto cada milimetro do teu corpo a pulsar. Sei perfeitamente que não é assim que queres adormecer,pensando nas fibras dos lençois em que repousas o teu pueril corpo, mas qualquer pensamento é melhor do que pensares no que pensaste o dia todo.
E este conforto embala-te no silêncio da noite como o abraço que querias esta manha e não tiveste.Não importa que este seja mais leve, é muito melhor que a maldita culpa que guardas no teu coração, nos teus ombros, na tua ignobil consciencia.
As quatro chávenas de café que tomaste já nem te afectam porque esperaste por este momento o dia todo - o pequeno e insignificante reflexo da luz do sol aparece e a tua oportunidade de dormir um pouco passa. Tens então de engolir em seco,logo agora que as tuas pálpebras insistem em se fechar, caso contrário seria outra noite desperdiçada relembrando uma voz e uma face que não te pertencem, não importa o quanto te esforçes.
É nessa altura que te vês forçado a adormecer, quer te sintas confortável com essa situação ou não, senão corres o risco de te tornar num paranoico com insónias tentando encontrar alguma paz interior,mas sem sucesso algum.
A escuridão acaba inevitavelmente por se apoderar de ti,os cobertores oferecem apenas frio que desejas tão avidamente substituir pelos braços que costumavas amar e rapidamente tornas-te numa concha inócua tentando dormir com a horrivel sensação de quereres alguém que jamais poderás ter, aquele profundo e instransponivel sentimento de que vais sempre dormir sozinho...

love kills (us)


Há momentos em que nos apercebemos de que nada nos é garantido, todos os sentimentos de outrora acabam por se dissipar, mesmo os nossos, aqueles que tanto nos queimavam o peito, que tanto nos faziam levitar e perder os sentidos, onde a sinestesia de viver era como um conjunto desses mesmos, todos em comunhão, sem qualquer excepção.

Hoje, depois de acordar, pensei que talvez tenha sido demasiado optimista, demasiado responsável por tudo aquilo em que me tornei.

Não foste tu, fui eu, e, por ter sido eu, despeço-me de todos os calcanhares que me conduziram nesse caminho já sem qualquer trilho, o caminho que fazia de mim aquilo que já não sou.

Já não te tenho em mim. Fugiste, deixei-te fugir, e sinto-me bem.

Por isso, sorrio, porque mesmo na inevitável derrota, tive-te como sempre te quis.

(E no meu olhar ter-te-ei sempre).

Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Paredes frias da minha mente.


Dou por mim a pensar que gostava de ter o poder de te fazer sangrar... Talvez não literalmente, mas saber que a tua mente sangrava na ausência da minha ou que até seria possivel o teu coração parar de bater por não sentir o suave toque do meu,minimizava a minha infinita dor.
Olho imensas vezes para as agora vazias paredes do meu quarto e recordo com os olhos plenos de água todas as promessas vãs que fazias ao meu coração; recordo a mais cruel jura que se pode fazer a alguem perdidamente apaixonado: a de que nunca, mas mesmo nunca me irias abandonar, acontecesse o que acontecesse, surgisse quem surgisse na tua vida. É então que leio os meus velhos e poeirentos diarios para recordar (e fazer doer) um pouco mais o quanto me sabiam a pouco os momentos que contigo passava. Ardem-me os olhos após lagrimas de desespero percorrerem o meu rosto... imagino agora como será a tua vida neste momento, o que fazes e pergunto-me vezes sem conta porque não posso ser eu a teu lado. Nunca encontro respostas. As paredes frias parecem ironizar com as minhas feridas e fazem-me sentir cada vez mais sozinha.
E penso que apenas queria, melhor ansiava por te fazer sofrer, ainda que apenas um terço do que tu me fazes.
Sim, era só isso.

tudo era eterno até te esqueceres de mim...

Segunda-feira, Agosto 03, 2009

Lágrimas esquecidas...


Na luz do teu desejo eu sonhei
Na cor da pedra fria eu chorei
Só magoei a alma, agora eu sei
Que tristes são as lágrimas que eu deitei...

E tu aqui na sombra, do meu ser
De tanto querer, um grande amor, esquecer...
Agora sinto um frio, e vou sofrer
A solidão que sinto, foi por te querer...

Queria tanto te abraçar
E poder voltar atrás...
Sentir que és meu
E ouvir a tua voz
Perto de mim outra vez
Sem distância entre nós
Mas acabou, o amor, e tu...

Um coração vazio, tanta dor
A ilusão, num corpo nu, sem amor
Só chorei um dia, agora eu sei
Que frias são as lágrimas que eu deitei...

Tu foste um mar de sonhos
Um rio de desilusão
Agora já não sonho com essa paixão...

Domingo, Agosto 02, 2009

És o meu medo.


« Depois das nuvens, somos o medo. Debaixo da pele, somos o medo. »

Ficámos a noite inteira acordados, à espera do passarinho que vem de manhã cantar-nos ao parapeito. Nunca desejámos tanto que ele chegasse…
Deitámo-nos em cima da cama e recusámo-nos a tirar as roupas. Quisemos dormir com os perfumes colados às camisolas e aos cabelos.
Pensámos melhor e nem chegámos a querer dormir, para não os esquecermos. No dia seguinte já nada sabe da mesma forma. Não quisemos dormir, para não termos de chegar ao 'dia seguinte' inconscientes de tudo. Para não termos sequer de chegar...
Fechámos os olhos e chorámos, e sorrimos. Agarrámo-nos a um coração de fingir e recordámos cada letra e cada som. Sentimo-lo a escorregar-nos pelas mãos e chorámos, sem poder fazer nada.
Procurámos morangos, debaixo da cama e dentro dos roupeiros, e a única coisa que encontrámos foi um quispo. Vermelho, também... Aproveitámo-lo, apesar do efeito não ser o mesmo. Aqueceu, mas os sorrisos não foram muitos.
Passámos a noite inteira acordados, com um quispo vermelho a aquecer e a salientar os perfumes e as saudades.
Quisemos corpos, quisemos gente. O vazio assusta. A falta de passarinhos a cantar nos parapeitos, também...
Pegámos num espelho e ficámos a olhar para um reflexo de olhos azuis. Olhámo-lo e falámos-lhe. Ele não reagiu.
Olhámos para o espelho durante tanto tempo que ele nos roubou a alma, como nas histórias de encantar. E os olhos azuis passaram a cinzento. Cada vez mais cinzentos e baços.
Quisemos sair pela janela, ao encontro de outros braços que não os nossos. Mas descobrimos o corpo como um peso demasiado forte, incapaz de ser erguido.
Descobrimos um coração em forma de A, dentro de nós. Abraçámo-lo e nem fomos capazes de entender.
Leve leve leve...
Quisemos chamá-lo e dizer-lhe coisas que não se sabem escrever. Quisemos chamá-lo e não lhe dizer nada. Tocar-lhe e pedir-lhe para ficar.
' Um dia, tens-me sempre que quiseres. E pedes para eu ficar e eu fico. '
Quisemos fazer daquela noite esse dia.
Quisemos sentir a porta a abrir-se e alguém a movimentar-se no escuro.
Ficámos a noite inteira acordados, à espera dum passarinho que nunca chegou.
Não fechámos os olhos. Nem vimos o 'dia seguinte'.

(O erro? Bateram-nos à porta... E eu abri-a.)



me on (a falta d)o canto dum passarinho no parapeito...

Sozinha...


Hoje, sinto-me sozinha! Porquê? Porque eu quis ou melhor, teve que ser assim. Sabes que estou ou sinto-me impotente, inútil . E tu onde estas? Sei e provavelmente estarás com os teus amigos, como sempre é habito e costume. Mas sinto me tão sozinha, sinto-te tão distante...Como gosto de ti sabes? O que estamos a viver, nós? Nada eu sei para ti, como eu digo é uma amizade , não passa disso, e eu sinto que as coisas estão tão alteradas, porque quando eu podia estava sempre contigo, se fosse possível estaria todos os dias, ultrapassando os convites de amigos, e agora vejo que tu nada fazes...Duvido do que sentes. Vou te confessar uma coisa, ja nao sinto aquela conecção forte que tinhamos, não há qualquer compromisso que nos una, mas sinto-me ligada a ti de forma a que nunca consiga deixar de te sentir só meu, vejo já e apenas que sejas só tu a existires em mim, mas sinto me tão insegura, quando me dizes, " Hoje não posso ir ter contigo, já tenho coisas combinadas ", ou outra coisa qualquer, por vezes duvido, desculpa...Tenho medo, penso a amizade dela é melhor que a minha? Não fui eu que estive lá para ti sempre que precisaste,mesmo em detrimento da minha pessoa? Como agora, sei que estás em plena satisfação e diversão com os teus amigos, e eu provavelmente nem ocorra em teu pensamento...Estou em recuperação, e está-me a custar tanto, mas estes dias longe de todos esta a servir para que possa pensar e agir de forma diferente e ver qual o teu interesse e preocupação...Gostava tanto de te ter perto de mim...Mas porque será que cada vez, vejo isso mais distante e incolor, mesmo assim, estarás aqui comigo esta noite...

Sinto a tua falta,amigo...