sábado, abril 22, 2017

A minha história.

De certa maneira, permaneceste tatuado em mim até que a morte roube o meu último fôlego. Acredito que tenhas escondido fragmentos teus num canto escurecido do meu coração para que o teu rosto nunca se desvaneça da minha memória. Vislumbres teus sempre foram suficientes para que a minha respiração desacelerasse e o coração saltasse batimentos sem que eu o permitisse. Levaste contigo o meu ânimo de forma a que sempre que conto a minha história, a mesma configura-se sempre sem vida e sem as cores que deveria ter. Enquanto quiseste quedar-te comigo, os meus olhos brilhavam e o meu corpo nunca sentia frio, como se estivesse permanentemente enredada nos teus braços e no calor que a tua pele incidia sobre mim. Mas os anos passaram e a tua vontade mudou enquanto eu continuei a amar-te como desde o primeiro dia e por isso, continuei a procurar-te em cada pessoa que encontrava pela rua. Com o passar do tempo, a tristeza e o vazio substituíram o desespero e o que me alenta o espírito é ainda o pedaço de ti que alojaste dentro de mim, contra a minha vontade. E eu nunca deveria ter-te contado a minha história.

quinta-feira, março 09, 2017

Exaustos.

Nunca te disse como me fazes sentir, e sabes porquê? Porque sempre que me dispo de alma e coração, tu remetes-te ao silêncio enquanto cogitas um novo plano de fuga. As tuas palavras correm numa direcção enquanto o teu coração, aflito, corre na minha. E ainda que eu saiba perfeitamente o que pensas e o que o teu íntimo deseja, tu gritas a plenos pulmões que estou sempre e toda a vez, equivocada. E eu, cansada de ser a única a assumir este sentir que me consome desde sempre, repito insanamente a mim própria que não sinto nada e que o fervor que sinto dentro de mim de cada vez que falo contigo, irá desvanecer um dia, talvez. Serei a única a sentir-se presa num ciclo infinito de querer e fingir que não? Será que o meu coração me engana loucamente para que eu acredite nesta fantasia que construí na minha mente? E depois, nos breves instantes em que te perdes no meu olhar ou desesperas por um abraço meu, eu não consigo deixar de acreditar que o teu peito bate por mim, por mais que as tuas palavras me façam pensar o contrário. E, se não for um mero devaneio de uma alma esgotada, não estaremos os dois exaustos por fingir não nos amarmos desde sempre? Não estaremos desgastados pela longidão de saudade que se entrepõe de cada vez entre os nossos braços, impedindo-nos de procurar um aconchego que signifique algo mais? Eu, envolta na fragilidade que sou, admito que estou exaurida pela imensidão deste amor que não consigo matar, pelo extâse desta saudade que me devora por mais que eu a tente afogar, pela mágoa de nunca teres tido coragem para ouvir o teu coração, a tua alma e o teu corpo como eu sempre ouvi os meus.