domingo, janeiro 04, 2026

Emoções avassaladoras.

 

 

Sinto-me derrubada pelas ondas deste afecto que rebentam contra as memórias de nós, destruindo a minha esperança de voltarmos a estar juntos. Ainda te sinto no meu abraço como se nunca te tivesse perdido. Permaneço envolta neste silêncio relembrando a verdade que não consigo negar: tínhamos tudo para ser perfeitos um para o outro até te esqueceres de todos os motivos porque este amor seria ideal.  Esta saudade ainda ecoa o teu nome e estou perdida neste amor que morre lentamente na tua falta. Este distanciamento continua a partir diariamente o meu coração, mantendo-me ligada a alguém que me esquece pouco a pouco enquanto eu permaneço refém das memórias onde nos amamos. Eu abraço o teu fantasma com cada batimento do meu coração e tento não perder a lembrança visual do teu sorriso ou da sensação da tua sombra impregnada na minha pele. Amar-te tornou-se na âncora que me impede de afundar sempre que a saudade arranha a alma. Despedir-me de ti far-me-ia sentir que estaria a dizer adeus a partes de mim. Eu ainda oiço a tua poderosa e imponente voz nas noites frias antes de adormecer. Eu ainda consigo sentir o teu toque como uma história interminável que conto a mim mesma diariamente. A tua silhueta ainda permanece nas minhas formas ainda que há muito tenhas partido de mim. Eu ainda tento refazer todos os teus passos numa tentativa vã de não permitir que o meu cerne te esqueça. Trinta e dois dias sem me perder nos teus beijos cor de avelã deixa-me desesperada neste amor unilateral. Cinco semanas sem sentir a tua respiração no meu pescoço faz-me olvidar os meus batimentos cardíacos. Eu quase trocaria fôlegos de vida para poder voltar áqueles momentos em que me encaixei num molde perfeito nos teus braços fortes que me agarravam tão bem. Perderia momentos para sentir novamente a tua mão entrelaçada na minha naquela tarde de feriado em que o tempo parou. Eu só te sentia e via a ti. Eras o meu foco. O mundo cessou de existir no momento em que me pediste um abraço e eu senti-me tão segura. O tempo parou no momento em que, saída dos teus braços, beijaste-me com um ardor e uma intensidade que me fez esquecer quem sou e fez-me questionar porque não cheguei aos teus lábios mais cedo. Tu eras o meu fogo e a minha luz. A minha intensidade resplandecia em fusão com a tua. O meu lado sombra mesclava-se com o teu numa união de almas perfeita. Fomos uma simbiose única e irrepetível. Estou aprendendo lentamente que sentir esta saudade avassaladora pode quebrar-me, mas não me irá matar. Onde estarás tu, minha escuridão absoluta? Eu não consigo deixar de amar-te, mesmo que tente. Na nossa escuridão tu eras a minha luz, a minha claridade. Agora permaneço sozinha e abandonada no silêncio da noite. A quietude é um veneno. Ás vezes, ir embora quando o que mais queremos era ficar, é um fogo que nos consome fatalmente.  

quarta-feira, dezembro 24, 2025

Epítome de perigo.

 

Levas-me ao paraíso num dia, no seguinte arrastas-me até ás profundezas do umbral mais sombrio. Será assim a montanha-russa emocional deste amor tão intenso que sinto por ti? Eu ouço o meu coração a bater sozinho quando desejava bombear este sentir encostado ao teu. É um som solitário e angustiante que se esconde dentro do meu peito. E eu sei, embalada pela tua ausência, que este amor é sério á medida que o mesmo engole a minha alma nesta saudade atroz. A paixão é tão forte que o meu coração quase grita por um amor que parecia tão real. Posso confiar em ti, meu anjo? Tu és o epítome de perigo. Um sentimento assim tão ardente assusta-me veementemente. Sinto-me sozinha nesta ausência tua que me consome. É aterrador não saber se algum dia vou voltar a ver-te e sentir-te. É pavoroso não ter certezas se voltarei a provar o teu beijo pujante ou o calor do teu abraço forte que me envolvia e guardava num lugar seguro. O céu é mais azul quando eu te vejo, o mar infinitamente mais poderoso, o sol brilha com mais paixão e as estrelas reluzem com o dobro do ímpeto. A tua presença torna tudo mais bonito e vibrante. Eu queria tanto sentir as tuas mãos ásperas e viris a envolver novamente a minha cintura, os teus braços robustos a prender-me junto ao teu tronco, a tua respiração a beijar o meu pescoço. Nesta noite solitária e escura, tudo o que eu almejava era poder expressar fisicamente esta conexão e este amor que me devora de dentro para fora com um fervor sem igual... 

domingo, dezembro 07, 2025

Nós poderíamos ter chegado ao céu.

 

 

 

Existe uma tempestade crescente no meu peito. Uma revolta que eu tentei aquietar, mas tu acendeste-a imprudentemente. Tu disseste para sempre em tons de promessa, mas qualquer palavra que pronunciaste deixou apenas uma sombra a pairar no ar. Eu entreguei-te pedaços de mim que não mostrei a ninguém. Tu transformaste-os em avisos tatuados na pele que queimam por dentro.  Tu deixaste-me sozinha como se estivesses a salvar-me de ti mesmo, mas eu ainda me contorço na dor e na verdade crua que me fizeste sentir. As memórias de mim nos teus braços fortes e viris estremecem diante dos meus olhos como um filme que me faz permanecer presa a ti. Todas as juras que quebraste voltam para mim em névoas de sentir esmagado pela saudade. Nós poderíamos ter chegado ao céu, atravessar as chamas do inferno juntos, mas tu deixaste-me a meio caminho a sonhar sozinha. Deixaste-nos perder. Eu relembro a minha ansiedade como se fosse uma menina a tremer perante a tua presença forte e intimidante, a vulnerabilidade a tomar conta de mim quando envolveste as tuas mãos na minha cintura como se eu pertencesse ao teu abraço. Contudo, cada beijo era apenas mais um fantasma do que eu desejava mas não poderia ter. Uma melodia que me vai assombrar o coração sempre que me lembrar o quanto te quis (e ainda quero). Eu tentei ser paciente e dizer ao meu amâgo para ter calma e aguardar pelo teu regresso, mas ele não quer ouvir. Eu vi os alertas vermelhos, ouvi a minha consciência a implorar-me para fugir, senti no meu peito o quanto eras a alma errada para a minha. Mesmo assim, eu confiei em ti, fechei os olhos e deixei-me cair. Amar-te pareceu ser algo sagrado ou destinado a acontecer, mesmo embrulhado em medos e receios. Todos os ecos no meu coração repetem sem fim o teu nome. Todas as lágrimas de saudade transformam-se no fim da face em diamantes que queimam na chama da tua ausência. Tu permitiste que o meu coração se magoasse e destruiste o futuro que estávamos destinados a construir. Tudo o que nos restou foi o que arrancaste de mim. O sorriso que dizias gostar, o receio embrulhado em amor, o toque suave e o fogo no olhar. Sei-o agora: permiti que o diabo me devorasse intensamente o ânimo, acreditando que estava protegida pelas asas de um anjo...