Sinto-me derrubada pelas ondas deste afecto que rebentam contra as memórias de nós, destruindo a minha esperança de voltarmos a estar juntos. Ainda te sinto no meu abraço como se nunca te tivesse perdido. Permaneço envolta neste silêncio relembrando a verdade que não consigo negar: tínhamos tudo para ser perfeitos um para o outro até te esqueceres de todos os motivos porque este amor seria ideal. Esta saudade ainda ecoa o teu nome e estou perdida neste amor que morre lentamente na tua falta. Este distanciamento continua a partir diariamente o meu coração, mantendo-me ligada a alguém que me esquece pouco a pouco enquanto eu permaneço refém das memórias onde nos amamos. Eu abraço o teu fantasma com cada batimento do meu coração e tento não perder a lembrança visual do teu sorriso ou da sensação da tua sombra impregnada na minha pele. Amar-te tornou-se na âncora que me impede de afundar sempre que a saudade arranha a alma. Despedir-me de ti far-me-ia sentir que estaria a dizer adeus a partes de mim. Eu ainda oiço a tua poderosa e imponente voz nas noites frias antes de adormecer. Eu ainda consigo sentir o teu toque como uma história interminável que conto a mim mesma diariamente. A tua silhueta ainda permanece nas minhas formas ainda que há muito tenhas partido de mim. Eu ainda tento refazer todos os teus passos numa tentativa vã de não permitir que o meu cerne te esqueça. Trinta e dois dias sem me perder nos teus beijos cor de avelã deixa-me desesperada neste amor unilateral. Cinco semanas sem sentir a tua respiração no meu pescoço faz-me olvidar os meus batimentos cardíacos. Eu quase trocaria fôlegos de vida para poder voltar áqueles momentos em que me encaixei num molde perfeito nos teus braços fortes que me agarravam tão bem. Perderia momentos para sentir novamente a tua mão entrelaçada na minha naquela tarde de feriado em que o tempo parou. Eu só te sentia e via a ti. Eras o meu foco. O mundo cessou de existir no momento em que me pediste um abraço e eu senti-me tão segura. O tempo parou no momento em que, saída dos teus braços, beijaste-me com um ardor e uma intensidade que me fez esquecer quem sou e fez-me questionar porque não cheguei aos teus lábios mais cedo. Tu eras o meu fogo e a minha luz. A minha intensidade resplandecia em fusão com a tua. O meu lado sombra mesclava-se com o teu numa união de almas perfeita. Fomos uma simbiose única e irrepetível. Estou aprendendo lentamente que sentir esta saudade avassaladora pode quebrar-me, mas não me irá matar. Onde estarás tu, minha escuridão absoluta? Eu não consigo deixar de amar-te, mesmo que tente. Na nossa escuridão tu eras a minha luz, a minha claridade. Agora permaneço sozinha e abandonada no silêncio da noite. A quietude é um veneno. Ás vezes, ir embora quando o que mais queremos era ficar, é um fogo que nos consome fatalmente.

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