quinta-feira, janeiro 22, 2026

Abandonar quem se (g)ama.

 

 

 
 Ele não precisa do meu amor. Ele não quer guardar o meu coração na palma da mão. Não precisa das minhas palavras nem tampouco dos meus suspiros. Não sentirá falta das minhas declarações de amor nem dos meus poemas épicos. Não, ele consegue ficar extremamente tranquilo sem saber de mim porque ele aprendeu a separar o mundo dele das emoções de amores avassaladores, aprendeu a ser independente, a não desmoronar quando alguém vai embora. Ele não sente a minha falta nem tem saudades do meu abraço ou dos meus beijos ardentes. Ele sabe preencher a minha ausência com corpos gastos, três ou quatro cigarros e dois tragos de whisky. Ele não sentirá falta do meu amor intenso. Por que deveria? É apenas a minha imaginação, o quão iludida sempre fui, a minha absurda entrega desmedida, não aprender a amar menos e a dar somente o que recebo. Lembras-te quando lhe disseste "eu amo-te" e ele retorquiu " eu gosto de ti"? É o castigo que mereço por entregar tanto a quem não merece um pingo de sentimento. Ele não precisa do meu sentir, nem vai deixar de dormir se eu ficar em silêncio um dia. Eu não o faço perder o sono, ele provavelmente deixa-o ir pensando em outra alma. Se ele não manda mensagem é porque não quer, se não telefona é porque não quer, se não me entrega presença é porque não deseja estar ao meu lado. Ele não precisa do meu amor, nem chorará ou lamentará eu não estar ao lado dele. O melhor é guardar os pedaços do meu coração e abandonar este (g)amor. 

domingo, janeiro 04, 2026

Emoções avassaladoras.

 

 

Sinto-me derrubada pelas ondas deste afecto que rebentam contra as memórias de nós, destruindo a minha esperança de voltarmos a estar juntos. Ainda te sinto no meu abraço como se nunca te tivesse perdido. Permaneço envolta neste silêncio relembrando a verdade que não consigo negar: tínhamos tudo para ser perfeitos um para o outro até te esqueceres de todos os motivos porque este amor seria ideal.  Esta saudade ainda ecoa o teu nome e estou perdida neste amor que morre lentamente na tua falta. Este distanciamento continua a partir diariamente o meu coração, mantendo-me ligada a alguém que me esquece pouco a pouco enquanto eu permaneço refém das memórias onde nos amamos. Eu abraço o teu fantasma com cada batimento do meu coração e tento não perder a lembrança visual do teu sorriso ou da sensação da tua sombra impregnada na minha pele. Amar-te tornou-se na âncora que me impede de afundar sempre que a saudade arranha a alma. Despedir-me de ti far-me-ia sentir que estaria a dizer adeus a partes de mim. Eu ainda oiço a tua poderosa e imponente voz nas noites frias antes de adormecer. Eu ainda consigo sentir o teu toque como uma história interminável que conto a mim mesma diariamente. A tua silhueta ainda permanece nas minhas formas ainda que há muito tenhas partido de mim. Eu ainda tento refazer todos os teus passos numa tentativa vã de não permitir que o meu cerne te esqueça. Trinta e dois dias sem me perder nos teus beijos cor de avelã deixa-me desesperada neste amor unilateral. Cinco semanas sem sentir a tua respiração no meu pescoço faz-me olvidar os meus batimentos cardíacos. Eu quase trocaria fôlegos de vida para poder voltar áqueles momentos em que me encaixei num molde perfeito nos teus braços fortes que me agarravam tão bem. Perderia momentos para sentir novamente a tua mão entrelaçada na minha naquela tarde de feriado em que o tempo parou. Eu só te sentia e via a ti. Eras o meu foco. O mundo cessou de existir no momento em que me pediste um abraço e eu senti-me tão segura. O tempo parou no momento em que, saída dos teus braços, beijaste-me com um ardor e uma intensidade que me fez esquecer quem sou e fez-me questionar porque não cheguei aos teus lábios mais cedo. Tu eras o meu fogo e a minha luz. A minha intensidade resplandecia em fusão com a tua. O meu lado sombra mesclava-se com o teu numa união de almas perfeita. Fomos uma simbiose única e irrepetível. Estou aprendendo lentamente que sentir esta saudade avassaladora pode quebrar-me, mas não me irá matar. Onde estarás tu, minha escuridão absoluta? Eu não consigo deixar de amar-te, mesmo que tente. Na nossa escuridão tu eras a minha luz, a minha claridade. Agora permaneço sozinha e abandonada no silêncio da noite. A quietude é um veneno. Ás vezes, ir embora quando o que mais queremos era ficar, é um fogo que nos consome fatalmente.  

quarta-feira, dezembro 24, 2025

Epítome de perigo.

 

Levas-me ao paraíso num dia, no seguinte arrastas-me até ás profundezas do umbral mais sombrio. Será assim a montanha-russa emocional deste amor tão intenso que sinto por ti? Eu ouço o meu coração a bater sozinho quando desejava bombear este sentir encostado ao teu. É um som solitário e angustiante que se esconde dentro do meu peito. E eu sei, embalada pela tua ausência, que este amor é sério á medida que o mesmo engole a minha alma nesta saudade atroz. A paixão é tão forte que o meu coração quase grita por um amor que parecia tão real. Posso confiar em ti, meu anjo? Tu és o epítome de perigo. Um sentimento assim tão ardente assusta-me veementemente. Sinto-me sozinha nesta ausência tua que me consome. É aterrador não saber se algum dia vou voltar a ver-te e sentir-te. É pavoroso não ter certezas se voltarei a provar o teu beijo pujante ou o calor do teu abraço forte que me envolvia e guardava num lugar seguro. O céu é mais azul quando eu te vejo, o mar infinitamente mais poderoso, o sol brilha com mais paixão e as estrelas reluzem com o dobro do ímpeto. A tua presença torna tudo mais bonito e vibrante. Eu queria tanto sentir as tuas mãos ásperas e viris a envolver novamente a minha cintura, os teus braços robustos a prender-me junto ao teu tronco, a tua respiração a beijar o meu pescoço. Nesta noite solitária e escura, tudo o que eu almejava era poder expressar fisicamente esta conexão e este amor que me devora de dentro para fora com um fervor sem igual...