terça-feira, maio 11, 2021

Centelha de amor.

 

 

 

Acordo sabendo que é um erro voltar a entregar-te em mãos as minhas palavras. Os sonhos em que recordo o teu semblante já não são suficiente para alimentar um coração cansado de esperar. E recordo as angústias de amores passados, lembrando-me com pesar das alturas em que dei tudo de mim mas a felicidade nunca quis permanecer. Tudo o que amo passa por mim demasiado depressa. E eu sinto-me pequena, insuficiente e perdida por pertencer cada vez mais a ti. Atravesso com cuidado campos minados na tentativa desesperada de chegar a ti e impedir simultaneamente que o meu coração em forma de granada exploda de mim para fora. Arrisco-me tanto para tentar que sintas uma centelha de amor igual ao que me consome e sinto-me frustrada sempre que a reciprocidade passa por mim de raspão. E é na escuridão da noite, sempre que as luzes se apagam e a solidão me abraça, que eu sinto o quanto perdi. Não saber o que pensas, onde estás ou em quem a tua alma encosta é a derradeira tortura. Sei que querer-te assim desmesuradamente é um enorme erro quando estamos tão complexamente danificados, mas eu sinto que seria capaz de reconstruir-nos aos poucos se estivéssemos próximos, com os corações colocados no peito um do outro. Sentir de longe nunca será real o suficiente.

Apenas.

 

 

Apenas mais um passo na direcção certa. Mais perto. Perto de desistir de tudo. Largar o coração que trago nas mãos e fugir. Deixar que os fantasmas terminem as frases que repetem sem fim. Permitir que os monstros que me perseguem desde sempre ganhem. Parar de lutar e deixar que todos os demónios que arruinaram a minha vida todos estes anos, devorem tudo.

sexta-feira, abril 23, 2021

A verdadeira definição de insanidade.

 


 Fadiga que se me cola no lado escuro e sombrio da alma. Estou de partida, sabes? Posso voltar mais tarde se quiseres. Precisas de mais tempo? Sim, claro que eu entendo. Eu sempre mantenho a calma e compreendo todos os teus medos, todos os teus silêncios, os cortes profundos com que desenhas o teu nome no meu coração; compreendo todas as tuas palavras ou ausências mesmo que nada seja recíproco. Não tens tempo, sussurro eu ás minhas paranoias de cada vez que me ignoras e os meus vocábulos caem no esquecimento. Já não albergas o sentimento que estava acima de tudo e que existia sempre que te enredavas em mim. Parte-me o coração novamente. Deixa-me suspensa nas madrugadas em que pergunto vezes sem conta à minha mente porque raios eu permiti que entrasses na minha vida. Serás tu a verdadeira definição de insanidade? Serei eu a própria causa da minha loucura? Deve ser uma sensação única encontrar uma alma que permita que partas o seu coração em duas, três, infinitivas tentativas. Estou tão triste. Será que ainda estou a respirar? Deixaste de procurar em mim o significado mais profundo, o almejar único que se encontra para além do foro psicológico. Olha-me bem nos olhos e responde-me se pensas realmente que eu não vejo o que se passa no mundo lá fora.  Eu sei perfeitamente não ser verdade quando respondes "sou teu". Não finjas que a culpa do nosso fim é minha. A tua dualidade perversa conduziu-nos irremediavelmente a este abismo. Serias tu o meu vindouro e derradeiro amor, mas surgiste na minha vida destinado a dizer adeus. Ainda guardo nas palmas das mãos os beijos ardentes que trocámos naquele Sábado de chuva intensa, quase portadora da mesma intensidade que nós. Os beijos que eu não sabia serem os primeiros e últimos. Os olhares que eu não sabia que iriam permanecer apenas na minha memória. O roçar da mão nervosa pela tua barba agreste e pelo cabelo selvagem que eu senti quase a medo. Parte-me o coração novamente. Este tolo pertence-te mesmo partido na ironia dos teus silêncios e troca de sentires com outras almas. A verdadeira definição de insanidade.