domingo, setembro 27, 2026

Amor da minha vida.

 

 

 

Hoje o amor da minha vida não pertence ao meu regaço. Não está enredado no meu abraço como outrora.  Na quietude da cruel madrugada perco-me nas memórias suaves de nós dois onde o passado ainda dança e titubeia como folhas caídas de um Outono que por mim não passou. Cada sorriso nosso, cada palavra trocada, cada experiência entrelaçada, cada eco do meu amor por ti ainda ressoa nas paredes do meu coração. Fraquejo perante esta nova realidade e a dor acutilante que em mim a mesma produz. Olho para todas aquelas fotos, instantes congelados que deveriam pertencer-nos. Fui substituída por uma personagem secundária no momento em que me descuidei e desviei o olhar do teu. O teu rosto resplandescente, um sol que em mim nunca se apagou e que agora entendo que jamais me pertenceu. Na ausência do teu toque tudo o que me resta é a lembrança dos momentos efémeros que vivemos e que para mim foram reais. Ainda tremulam na minha alma. Amar alguém que não entrega reciprocidade é uma sombra que sei transportar no meu cerne, um aroma doce que não se desvanece mesmo sem a presença do sorriso, o tom da voz ou o calor de um coração. Mesmo sem o teu júbilo ao meu lado, carrego-te como um segredo, uma canção que toca embalada pela brisa do meu amor eterno num sonho que se recusa a adormecer. E em cada lágrima que desliza pelo meu rosto, um porquê que ressoa sem fim em mim. É um sentimento que não precisa estar perto para ser imenso e pulsante na dor da saudade que abriga. Um dia encontrarei a força que almejo para seguir, sabendo que ser verdadeira e amar com intensidade nunca será em vão, mesmo que permaneça sozinha enredada neste amor para toda a vida... 

sábado, agosto 01, 2026

Chama-me á razão.

 

 

Eu nunca acreditei em amor á primeira vista. Sequer cria em paixão assim repentina. Mas, naquele instante em que o meu olhar alcançou-te ao longe, tudo em mim reiniciou. O meu coração esqueceu todas as lições do passado e eu desafiei todas as leis ao permanecer ali a teu lado. As tuas palavras inundaram a minha alma e pareciam uma melodia de acordes perfeitos, sem importar sequer o que os teus lábios pronunciavam. Tu sorriste, escondendo o semblante, e mesmo assim, o mundo parou naquele momento. Por largos minutos cessei a audiência dos teus lamentos e copiosas memórias de outra vida e só conseguia vislumbrar o quanto eu seria o epítome de felicidade se por algum milagre divino, o teu coração resolvesse emaranhar-se no meu. Tentei perceber, sem grande resultado, como alguém poderia querer terminar a ligação com a definição de sonho que perante mim estava presente. Todos os meus pensamentos e tentativas de entrelaçar os meus sentires em ti parecem-me infrutíferos quando tudo te remete para ontem. Formaste nós no teu amâgo que eu tenho tentado desfazer, mas a tua resistência tem tornado a minha tarefa hercúlea e sobrehumana. Seria o teu nome equiparável ao conquistador alexandrino e por isso fora do meu alcance? Sou demasiado pequena para sonhar com algo etéreo como tu. Apelidaste-me carinhosamente de anjo da guarda quando para mim tens sido Lúcifer, simbolizando pecado, luxúria e medo. E, relutantemente, devo admitir que está na altura de recolher as minhas asas e voar para longe de quem não está nem nunca estará destinado a mim... 

sábado, abril 04, 2026

The one and only.

 

 

Encontrava-me vagueando pelos dias solitários, perseguindo sombras de um sonho há muito esquecido. Todos os caminhos que escolhi foram apenas ilusões até ao dia em que o destino permitiu que nos conhecêssemos. Seguraste na minha mão, entrelaçando-a na tua, como se soubesses desde sempre que todas vezes que o meu coração partiu, eu estaria mais próxima do teu. Qualquer estrada que eu tenha percorrido, levou-me até á tua brilhante e singular luz. A minha alma tem esperado pacientemente por um amor puro e inconfundível que preencha o meu peito de conforto e segurança, um amor digno de ser glorificado e imortalizado. Quando tu sorris, o mundo inteiro parece que abranda só para sorrir contigo. Talvez seja para sentir o meu peito parar e perder-se no teu semblante. És como uma canção suave e romântica que ninguém conhece e que eu entoo cada segundo como um hino em tua honra. Cada momento que passo ao teu lado, cada minuto, cada hora, cada dia, sugere que estou a conhecer-te pela primeira vez e a descobrir detalhes mais fascinantes progressivamente. Se este amor estiver fadado a acontecer, eu dar-te-ei toda e qualquer ínfima parte de mim. Toda eu serei corpo, coração e alma para ti. Permite que te recorde do resplendor, do fulgor, do lume que a tua alma transmite quando és inteiro. Consente que te relembre do amâgo deslumbrante que possuis e que jamais abandonarei ou relegarei para segundo plano. Autoriza, por favor, que te mostre como é ser o foco de um amor tão intenso e verdadeiro e entregar-te mais e mais felicidade todos os dias em que nos perdermos das horas nos braços um do outro. Aquiesce que te entregue sem pudor uma entrega, uma devoção e uma dedicação semelhante áquela tu consignas. Talvez eu estivesse perdida antes de entrarmos na vida um do outro. Quiçá o amor era somente uma porta, esperando pelo dia que tu passarias por ela. Agora, cada paragem que fazemos, cada instante passado no deleite da companhia do outro parece correr contra as horas que o relógio marca. Doravante, as estrelas acima de nós parecem brilhar somente para nós. O sol, envergonhado, pede-nos licença para nascer. O mar aplaude-nos com a força das suas ondas a rebentar nas pedras da praia. Ficas comigo para sempre? Posso guardar-te no cantinho mais especial do coração? Todos os anos em que te procurei incessantemente fizeram-te enredar a tua existência na minha. Contigo a confusão que guardo no meu peito remete-se ao silêncio. Acalmas os meus medos e apagas a menina insegura que cresceu comigo. O meu amor é teu. Posso fundi-lo com o teu? Alma com alma, corpo com corpo, coração com coração? Para sempre.