Eu nunca acreditei em amor á primeira vista. Sequer cria em paixão assim repentina. Mas, naquele instante em que o meu olhar alcançou-te ao longe, tudo em mim reiniciou. O meu coração esqueceu todas as lições do passado e eu desafiei todas as leis ao permanecer ali a teu lado. As tuas palavras inundaram a minha alma e pareciam uma melodia de acordes perfeitos, sem importar sequer o que os teus lábios pronunciavam. Tu sorriste, escondendo o semblante, e mesmo assim, o mundo parou naquele momento. Por largos minutos cessei a audiência dos teus lamentos e copiosas memórias de outra vida e só conseguia vislumbrar o quanto eu seria o epítome de felicidade se por algum milagre divino, o teu coração resolvesse emaranhar-se no meu. Tentei perceber, sem grande resultado, como alguém poderia querer terminar a ligação com a definição de sonho que perante mim estava presente. Todos os meus pensamentos e tentativas de entrelaçar os meus sentires em ti parecem-me infrutíferos quando tudo te remete para ontem. Formaste nós no teu amâgo que eu tenho tentado desfazer, mas a tua resistência tem tornado a minha tarefa hercúlea e sobrehumana. Seria o teu nome equiparável ao conquistador alexandrino e por isso fora do meu alcance? Sou demasiado pequena para sonhar com algo etéreo como tu. Apelidaste-me carinhosamente de anjo da guarda quando para mim tens sido Lúcifer, simbolizando pecado, luxúria e medo. E, relutantemente, devo admitir que está na altura de recolher as minhas asas e voar para longe de quem não está nem nunca estará destinado a mim...


