sábado, agosto 01, 2026

Chama-me á razão.

 

 

Eu nunca acreditei em amor á primeira vista. Sequer cria em paixão assim repentina. Mas, naquele instante em que o meu olhar alcançou-te ao longe, tudo em mim reiniciou. O meu coração esqueceu todas as lições do passado e eu desafiei todas as leis ao permanecer ali a teu lado. As tuas palavras inundaram a minha alma e pareciam uma melodia de acordes perfeitos, sem importar sequer o que os teus lábios pronunciavam. Tu sorriste, escondendo o semblante, e mesmo assim, o mundo parou naquele momento. Por largos minutos cessei a audiência dos teus lamentos e copiosas memórias de outra vida e só conseguia vislumbrar o quanto eu seria o epítome de felicidade se por algum milagre divino, o teu coração resolvesse emaranhar-se no meu. Tentei perceber, sem grande resultado, como alguém poderia querer terminar a ligação com a definição de sonho que perante mim estava presente. Todos os meus pensamentos e tentativas de entrelaçar os meus sentires em ti parecem-me infrutíferos quando tudo te remete para ontem. Formaste nós no teu amâgo que eu tenho tentado desfazer, mas a tua resistência tem tornado a minha tarefa hercúlea e sobrehumana. Seria o teu nome equiparável ao conquistador alexandrino e por isso fora do meu alcance? Sou demasiado pequena para sonhar com algo etéreo como tu. Apelidaste-me carinhosamente de anjo da guarda quando para mim tens sido Lúcifer, simbolizando pecado, luxúria e medo. E, relutantemente, devo admitir que está na altura de recolher as minhas asas e voar para longe de quem não está nem nunca estará destinado a mim... 

sábado, abril 04, 2026

The one and only.

 

 

Encontrava-me vagueando pelos dias solitários, perseguindo sombras de um sonho há muito esquecido. Todos os caminhos que escolhi foram apenas ilusões até ao dia em que o destino permitiu que nos conhecêssemos. Seguraste na minha mão, entrelaçando-a na tua, como se soubesses desde sempre que todas vezes que o meu coração partiu, eu estaria mais próxima do teu. Qualquer estrada que eu tenha percorrido, levou-me até á tua brilhante e singular luz. A minha alma tem esperado pacientemente por um amor puro e inconfundível que preencha o meu peito de conforto e segurança, um amor digno de ser glorificado e imortalizado. Quando tu sorris, o mundo inteiro parece que abranda só para sorrir contigo. Talvez seja para sentir o meu peito parar e perder-se no teu semblante. És como uma canção suave e romântica que ninguém conhece e que eu entoo cada segundo como um hino em tua honra. Cada momento que passo ao teu lado, cada minuto, cada hora, cada dia, sugere que estou a conhecer-te pela primeira vez e a descobrir detalhes mais fascinantes progressivamente. Se este amor estiver fadado a acontecer, eu dar-te-ei toda e qualquer ínfima parte de mim. Toda eu serei corpo, coração e alma para ti. Permite que te recorde do resplendor, do fulgor, do lume que a tua alma transmite quando és inteiro. Consente que te relembre do amâgo deslumbrante que possuis e que jamais abandonarei ou relegarei para segundo plano. Autoriza, por favor, que te mostre como é ser o foco de um amor tão intenso e verdadeiro e entregar-te mais e mais felicidade todos os dias em que nos perdermos das horas nos braços um do outro. Aquiesce que te entregue sem pudor uma entrega, uma devoção e uma dedicação semelhante áquela tu consignas. Talvez eu estivesse perdida antes de entrarmos na vida um do outro. Quiçá o amor era somente uma porta, esperando pelo dia que tu passarias por ela. Agora, cada paragem que fazemos, cada instante passado no deleite da companhia do outro parece correr contra as horas que o relógio marca. Doravante, as estrelas acima de nós parecem brilhar somente para nós. O sol, envergonhado, pede-nos licença para nascer. O mar aplaude-nos com a força das suas ondas a rebentar nas pedras da praia. Ficas comigo para sempre? Posso guardar-te no cantinho mais especial do coração? Todos os anos em que te procurei incessantemente fizeram-te enredar a tua existência na minha. Contigo a confusão que guardo no meu peito remete-se ao silêncio. Acalmas os meus medos e apagas a menina insegura que cresceu comigo. O meu amor é teu. Posso fundi-lo com o teu? Alma com alma, corpo com corpo, coração com coração? Para sempre. 

 

 

 


quinta-feira, janeiro 22, 2026

Abandonar quem se (g)ama.

 

 

 
 Ele não precisa do meu amor. Ele não quer guardar o meu coração na palma da mão. Não precisa das minhas palavras nem tampouco dos meus suspiros. Não sentirá falta das minhas declarações de amor nem dos meus poemas épicos. Não, ele consegue ficar extremamente tranquilo sem saber de mim porque ele aprendeu a separar o mundo dele das emoções de amores avassaladores, aprendeu a ser independente, a não desmoronar quando alguém vai embora. Ele não sente a minha falta nem tem saudades do meu abraço ou dos meus beijos ardentes. Ele sabe preencher a minha ausência com corpos gastos, três ou quatro cigarros e dois tragos de whisky. Ele não sentirá falta do meu amor intenso. Por que deveria? É apenas a minha imaginação, o quão iludida sempre fui, a minha absurda entrega desmedida, não aprender a amar menos e a dar somente o que recebo. Lembras-te quando lhe disseste "eu amo-te" e ele retorquiu " eu gosto de ti"? É o castigo que mereço por entregar tanto a quem não merece um pingo de sentimento. Ele não precisa do meu sentir, nem vai deixar de dormir se eu ficar em silêncio um dia. Eu não o faço perder o sono, ele provavelmente deixa-o ir pensando em outra alma. Se ele não manda mensagem é porque não quer, se não telefona é porque não quer, se não me entrega presença é porque não deseja estar ao meu lado. Ele não precisa do meu amor, nem chorará ou lamentará eu não estar ao lado dele. O melhor é guardar os pedaços do meu coração e abandonar este (g)amor.