Permaneci presa no momento em que soltaste a minha mão sem qualquer tipo de remorso. Eu chorei tanto, mas tanto que quase me esqueci de respirar. E no meio das minhas lágrimas, tu apenas foste embora sem sequer olhar para trás. Não tentaste confortar os meus medos, nem te importaste em partir-me o coração. A única alma que te havia entregado amor incondicional e que tu despedaçaste sem piedade alguma. Isso não é ser um monstro? Alguém que merece todas as provas que a vida colocar no seu caminho? Sem dúvida que sim. Eu entendi naquele instante que a pessoa que eu mais amei foi também a mais cruel e insensível que alguma vez conheci. Não só revelou ter uma fauce desprovida de beleza, mas o que guardava dentro do peito, era ainda mais negro e distorcido. Se alguém como tu que nunca tinha sido amado em tantos Invernos de sacrificios consegue destruir um amor avassalador como o meu, de certeza que nunca seria o amâgo que me curaria. Um covarde que te abandona quando estás despedaçada e apavorada pela perspetiva da solidão não merece um pingo do amor que recebeu e neste momento oro com todas as minhas forças para que nunca volte a receber. É apenas um menino disfarçado de homem a brincar com sentires. A true monster, yes you are.



