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quinta-feira, setembro 25, 2025

I'm not a monster (but you are).

 

 

Permaneci presa no momento em que soltaste a minha mão sem qualquer tipo de remorso. Eu chorei tanto, mas tanto que quase me esqueci de respirar. E no meio das minhas lágrimas, tu apenas foste embora sem sequer olhar para trás. Não tentaste confortar os meus medos, nem te importaste em partir-me o coração. A única alma que te havia entregado amor incondicional e que tu despedaçaste sem piedade alguma. Isso não é ser um monstro? Alguém que merece todas as provas que a vida colocar no seu caminho? Sem dúvida que sim. Eu entendi naquele instante que a pessoa que eu mais amei foi também a mais cruel e insensível que alguma vez conheci. Não só revelou ter uma fauce desprovida de beleza, mas o que guardava dentro do peito, era ainda mais negro e distorcido. Se alguém como tu que nunca tinha sido amado em tantos Invernos de sacrificios consegue destruir um amor avassalador como o meu, de certeza que nunca seria o amâgo que me curaria. Um covarde que te abandona quando estás despedaçada e apavorada pela perspetiva da solidão não merece um pingo do amor que recebeu e neste momento oro com todas as minhas forças para que nunca volte a receber. É apenas um menino disfarçado de homem a brincar com sentires. A true monster, yes you are. 

segunda-feira, agosto 11, 2025

Sobrevivendo sem ti.

 

 

 

O mar ainda tem o mesmo cheiro, as ondas ainda rebentam da mesma forma, o sal continua igual. As almas que passam por mim na rua são as mesmas. Os autocarros em que agora desloco-me, lembram-me que fui retirada do mundo de maneira abrupta e inesperada. As músicas no meu ouvido são como vidro estilhaçando pelo chão. O sol nasce de forma estranha, como se quisesse para sempre ficar escondido atrás das nuvens. Há uma melancolia nas estradas, uma nostalgia nas tardes. As sombras das árvores não me convidam para sentar-me debaixo delas e eu tomo o meu café sem gosto nas manhãs agora monótonas. A lua ainda conversa comigo, mas de forma fria e em noites fugazes. Os finais de dia são particularmente dolorosos. O silêncio esmaga-me o coração e o vazio que trago no peito é devastador. De vez em quando ainda leio as tuas palavras mas prefiro evitar para não sangrar tanto. Era tão bom quando estavas aqui. Luto contra a minha memória para que os traços do teu rosto não se desvaneçam nem o som da tua voz caia no esquecimento. O teu toque suave parece agora uma lembrança longíngua e a minha pele gelada ressente-se com a saudade de ti. Estou tentando consumir a falta que me fazes, no entanto é ela que me consome. O meu nome metamorfoseou-se para saudade e este amor que me corre ainda nas veias melindra-se. O coração está tão pequenino de ti e tão cheio de arrependimento. Se o tempo fosse meu amigo, apagaria os meus erros e estarias ainda nos meus braços. Mas não, estou sozinha. Culpa minha, confesso. Confiei que este amor seria porto seguro depois de derrubadas as muralhas que entre nós se erguiam. Não sei ser paciente, admito. Queria que este sentimento permitisse descansar os olhos e voltar a dormir feliz por ser a tua menina. Queria que este medo que sinto de nunca mais voltar a ver-te embalasse-me nas noites intermináveis e os pesadelos rejeitassem o meu regaço. Não merecia um cuidar e um amar como os teus e por esse mesmo motivo permaneço desamparada. Estou sobrevivendo sem ti...

sábado, agosto 09, 2025

A saudade tem um nome: o teu nome é ele.

 

Eu sou apaixonada pela tua alma, pelos teus olhos, sorriso e calma, sou pelas tuas cicatrizes, pela tua pele, pelos teus deslizes, pelos teus silêncios e sombras. Eu amo cada detalhe que te desenha, cada esboço que em ti começa, cada imperfeição dos teus traços e onde cada uma termina. As nuances da tua poesia, as curvas dos teus sonhos e ambições que se entrelaçam com os meus. Amo o timbre da tua voz, esse som que agora faz-me tanta falta e aperta o peito, que era predestinado a ser dos meus ouvidos em cada boa tarde que eu guardava com tanto carinho. Amo os teus dedos suaves e gentis que me tocavam como se toca a seda e o cetim. A tua música interna, os declives da tua esporádica loucura, o nosso encontro descontrolado por ela. As linhas certas da tua sensatez. Se a saudade tem um nome, o teu nome é ele. Tu és a minha cura. Em ti, todas as sensações que preciso, pulsam. Nos teus lábios estão as palavras que preciso ouvir. Nesse teu coração bonito, esperanças e bravuras competem com as dores escondidas que causei e que me envolvem em remorso cada dia que passo longe de ti. Feridas que te fizeram mais incrível ainda, mais sensível, mais humano. O amor que outrora nos embalara continua em mim. Resguardado, entorpecido, mas com todas as certezas que faria o inimaginável para voltar atrás no tempo e corrigir as minhas falhas. Sem o teu amor sinto-me incompleta, desanimada e a minha alma derrama lágrimas ao ver-te ao longe e sem poder tocar o teu coração. Nunca pensei ser possível tornares-te um sonho inalcançável quando em tantos momentos fomos tão felizes e foste tão meu. Talvez eu seja alma demais, sensível como uma gota de orvalho nas flores, escondida por detrás deste olhar que não conseguiu segurar as lágrimas quando abriu o seu coração para explicar-te o que sentia. Talvez seja como a própria flor que se despedaça com um vento um pouco mais forte. Mas não consigo ser de outra forma. Não sou de ferro, sou feita de pétalas, de coração que sangra e sente. Sou feita de amor e lutei para que não desistisses deste sentimento, mesmo quando não conseguiste olhar-me nos olhos e mandaste-me embora. E eu destroçada e incapaz de permanecer forte, desabei ao sentir o coração partir-se em mil pedaços que gritam ainda o teu nome... 

terça-feira, fevereiro 11, 2025

Mijn Liefje.

 

 

 

Passaram-se cento e noventa e duas horas desde que envolveste o meu coração nos teus esguios dedos e o levaste contigo. Sinto-me ainda tão perdida como se tivesse acabado de acontecer. " Eu não vou a lugar nenhum", prometias-me tu com o olhar mais sincero que eu julgava ter encostado ao meu. " Tu és a minha garota, eu amo-te", e eu voltei a acreditar em ti. Eu, que nunca confio em ninguém e cismo com a minha própria sombra, despojei-me de todas as inseguranças e entreguei-me sem medos nas tuas mãos.  Eu que sempre fugi de intimidade e vulnerabilidade, por ti fui menina frágil e inocente. Contigo fiz tanta coisa pela primeira vez por sentir que serias para sempre. "Nunca vou deixar de amar-te, posso é nem sempre demonstrar esse amor" clamavas tu em meio rumo para a nossa caminhada. " Quero proteger-te até ao resto das nossas vidas", no entanto permaneço aqui envolta na escuridão e na solidão em que me lançaste. Descansei todos os receios nos teus braços fortes que me faziam sentir tão segura e irremediavelmente deixei-me ir. Ainda me doís no lado esquerdo do peito. A dor emocional cravejada no meu tórax parece quase física e não menos real. As palavras dignas de um conto de fadas deram lugar a facas afiadas que me desferiram golpes cruéis. " Só sempre senti uma amizade forte em vez de amor", foi neste instante que retiraste todo o amor que juravas sentir por mim e dei por mim a cair num abismo de ilusões. " Não senti saudades tuas", o momento em que me apercebi que afinal o resto das nossas vidas seria por percursos diferentes. O dia em que percebi que não voltaria a sentir os teus intensos beijos, as tuas mãos entrelaçadas nas minhas, os teus abraços em redor do meu corpo, o teu calor na nossa cama, no nosso quarto, os meus pertences enjaulados num saco aleatório como se fosse a tarefa mais fácil expulsar-me da tua vida sem dó nem piedade; esse foi o dia em que uma parte de mim fatalmente morreu e permaneceu contigo. Nunca voltarei a ser inteira como fui contigo, mijn liefje. Nunca voltarei a permitir que alguém me abandone da forma vil que tu fizeste, sem arrependimentos, sem remorsos, levando o meu coração esmagado entre as suas mãos. E imersa nesta grande tristeza, volto a soluçar por entre lágrimas, lamentando não teres sentido arrependimento pela tua inclemente decisão.