Existe uma tempestade crescente no meu peito. Uma revolta que eu tentei aquietar, mas tu acendeste-a imprudentemente. Tu disseste para sempre em tons de promessa, mas qualquer palavra que pronunciaste deixou apenas uma sombra a pairar no ar. Eu entreguei-te pedaços de mim que não mostrei a ninguém. Tu transformaste-os em avisos tatuados na pele que queimam por dentro. Tu deixaste-me sozinha como se estivesses a salvar-me de ti mesmo, mas eu ainda me contorço na dor e na verdade crua que me fizeste sentir. As memórias de mim nos teus braços fortes e viris estremecem diante dos meus olhos como um filme que me faz permanecer presa a ti. Todas as juras que quebraste voltam para mim em névoas de sentir esmagado pela saudade. Nós poderíamos ter chegado ao céu, atravessar as chamas do inferno juntos, mas tu deixaste-me a meio caminho a sonhar sozinha. Deixaste-nos perder. Eu relembro a minha ansiedade como se fosse uma menina a tremer perante a tua presença forte e intimidante, a vulnerabilidade a tomar conta de mim quando envolveste as tuas mãos na minha cintura como se eu pertencesse ao teu abraço. Contudo, cada beijo era apenas mais um fantasma do que eu desejava mas não poderia ter. Uma melodia que me vai assombrar o coração sempre que me lembrar o quanto te quis (e ainda quero). Eu tentei ser paciente e dizer ao meu amâgo para ter calma e aguardar pelo teu regresso, mas ele não quer ouvir. Eu vi os alertas vermelhos, ouvi a minha consciência a implorar-me para fugir, senti no meu peito o quanto eras a alma errada para a minha. Mesmo assim, eu confiei em ti, fechei os olhos e deixei-me cair. Amar-te pareceu ser algo sagrado ou destinado a acontecer, mesmo embrulhado em medos e receios. Todos os ecos no meu coração repetem sem fim o teu nome. Todas as lágrimas de saudade transformam-se no fim da face em diamantes que queimam na chama da tua ausência. Tu permitiste que o meu coração se magoasse e destruiste o futuro que estávamos destinados a construir. Tudo o que nos restou foi o que arrancaste de mim. O sorriso que dizias gostar, o receio embrulhado em amor, o toque suave e o fogo no olhar. Sei-o agora: permiti que o diabo me devorasse intensamente o ânimo, acreditando que estava protegida pelas asas de um anjo...

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