sexta-feira, novembro 25, 2011

Tinta de sangue



Pedes-me, com o habitual sorriso malicioso, que coloque os meus sentimentos longe de ti e que me entregue nos teus braços. Bradas num tom de voz audacioso e ligeiro, numa linguagem que só eu entendo, que entre nós existe apenas prazer carnal e que o amor não se deita connosco nestes lençois de linho. Amassas o meu coração de cartolina e, por meio de rascunhos e rabiscos, resgatas-me novamente e eu, desprovida da razão que deveria  me orientar, escrevo na tua mão a tinta de sangue o quão essencial és para que o oxigénio continue a circular neste malogrado corpo. Magoado, dizes-me que eu não sei sentir na medida certa e que o mais acertado seria reapropriar-me do amor que me assola a alma e recuperar o que realmente me pertence, porque tu, tu só és meu quando o destino assim o permite. Os meus sentidos, desiludidos pela minha hesitação e por ter calado todas as palavras que deveriam ter sido proferidas na tua presença, abandonam-me e seguem também na tua direcção.

3 comentários:

Neuza disse...

Adorei. Beijinho :)

Filipa Amaral disse...

gostei muito, tá lindo! beijinho*

Catarina disse...

Sigo, e gostei muito deste post :)