O coração voltou a doer. Dilacera o peito com a força de imensos golpes. Estava adormecido, entorpecido pela saudade em que havia mergulhado. Pensava, muito sinceramente, que tinha esquecido de sentir-te. Não magoava com intensidade ver o teu rosto, não angustiava a alma ouvir o teu nome nem oprimia os meus sentires lembrar-me da tua voz tranquila e pausada. Mas o coração acordou e gritou. Entrou em desespero quando voltou a ver o teu semblante e queria esticar-se para tocar no teu. Ele não sabia que tinhas guardado o coração no bolso. Não tinhas sentimentos. Não és capaz de voltar a sentir. Talvez sejas, mas não por mim. Não reconheci no teu olhar gélido o homem por quem me apaixonei perdidamente e encolhi o coração dentro do peito. Sussurrei-lhe que aquele ser maravilhoso que o fazia acalmar todos os medos e repousar na calma da sua companhia afinal não existia. Se calhar nunca existiu. Eu recolhi todas as minhas forças possíveis e evitei as lágrimas de deslizarem pelo meu rosto. O meu coração, infelizmente, não conseguiu evitar o choro por não encontrar naquele ponto de encontro o objecto do seu amor. Eu não te reconheci, nem ele. Aquela personagem tinha o teu rosto, a tua voz, o teu perfume, a camisa azul escura que eu adorava, a barba que me roçava no rosto e eu derretia-me de amores, as tuas mãos, as tuas palavras... mas não eras tu. O meu amor nunca seria capaz de pronunciar os vocábulos crueis que eu ouvi daquela boca. O meu amor nunca seria capaz de deixar-me no meio da rua a chorar e afastar-se sem olhar para trás. O meu amor nunca seria alma para partir-me o coração e rir desalmadamente enquanto eu sentia uma dor profunda e atroz a cortar-me o peito. Eu peço, eu oro, eu imploro que nunca mais tenha que olhar nos teus olhos enquanto me mentes que não queres outra pessoa, quando na verdade, tu só não querias que fosse eu!

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