Criei o cenário irrepetidas vezes na minha mente. Sonhei noites sem fim com as palavras que desejava ardentemente entregar-te e nunca julguei ter oportunidade. Escrevi no coração todos os vocábulos que pudessem provar o quanto o meu amor por ti consumia todo o meu ser, mesmo enquanto eu seguia os teus passos de longe. Nunca acreditei ser possível o dia que o meu coração voltaria a ouvir a tua voz, sentir o teu perfume e estremecer com o teu olhar penetrante. Sou frágil como desde o primeiro dia e o meu olhar não consegue deter-se em ti por mais que dois segundos sem eu desmoronar. Esqueci todas as letras que juntei para um dia colocar no teu colo. Sentia a tua frieza e a tua indiferença á distância. O teu peito que antes dizia bater por mim e querer passar todos os dias abraçado a mim, agora diz que tudo o que vivemos foi um engano e que corremos contra os ponteiros do relógio. O que o meu coração sentiu ao colar-se ao teu, dizes-me tu, foi precipitado e tudo o que nos resta é uma amizade. Não te sei dizer o que me partiu o coração em pedaços maiores, o pensamento de termos uma amizade em que te vejo esporadicamente e oiço o teu timbre que acalma o meu amâgo, em que posso perder-me no teu olhar, sentir-te tão perto quando tantas vezes assim o desejei mas sem poder tocar-te, sem poder rodear-me pelos teus abraços; ou se continuo a preferir a tua ausência e resguardar-me nos momentos maravilhosos em que sentia seres meu, em que me perdia nos teus beijos suaves, no teu toque demorado, nos teus braços que me protegiam de um mundo cruel e acutilante. A pessoa que eu confiei guardar-me e impedir a mágoa foi a mesma que me dilacerou e cuspiu-me, sem entender o dano que me causou e o quanto foi devastador tentar controlar os pensamentos que me diziam incessantemente para abraçar-te, pedir-te para não voltares a ir embora e para voltares a querer-me como naquela noite quente de Primavera. O meu coração volta a chorar depois de um mês em que quase te esqueceu, quase adormeceu na tua saudade e quase se embalou na tua inexistência. A tristeza toma conta de mim ao aperceber-me que tu continuas a existir, só deixaste de querer ser meu e de pertencer ao meu mundo...

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