Fazes-me um bocadinho mais feliz. Contigo, sou uma criança que sorri ao sentar-se num baloiço que a permite levantar os pés do chão e voar por instantes. Ao teu lado, as comédias românticas deixaram de ser algo que passei uma vida inteira a evitar por medo de nunca encontrar um amor assim. Enervas-me de uma maneira que me divide entre o querer beijar-te e o mandar-te embora. Em alguns momentos, amo-te exatamente na mesma proporção que te "odeio". Admiro a tua paciência e perseverança em cuidar de mim e imagino que não devem haver chás de camomila suficientes para te acalmares depois de me ouvires. Gabo-te a honestidade brutal e a personalidade frontal e forte que me faz levitar de cada vez que contas sobre o teu dia ou reclamas de como o trabalho te deixa exausto. Quem não te souber interpretar pode ver nessa verdade uma crueldade que roça a insensibilidade, mas eu aprendi a ler-te nas entrelinhas e a admirar cada fibra do teu ser, numa transparência titubeante sem floreados. Adoro o teu sentido de humor profundo e exagerado, muito semelhante ao meu, que me acompanha no ritmo certo para que tudo se torne mais leve. Não gosto de tudo em ti, mas não mudaria nada. Isso seria tirar-te da tua essência e fazer-te á medida das minhas ideias pré-concebidas. É esse o teu encanto. E o mais bonito de tudo é o quanto a tua presença me alimenta, quanto me sinto em casa, embalada nos teus braços que simbolizam segurança, a certeza que eu sempre quis. Esta vontade genuína que não prende o coração nem o agarra. É o tanto que temos em comum que nos une e afasta na mesma medida. Toda a nossa existência é uma contradição viva: somos o avesso um do outro e a simbiose perfeita. Somos a química, a atração e o desejo embutidos em corpos e mentes que se entrelaçam sem fim. E se amanhã a imprevisibilidade da vida tirar-nos dos trilhos um do outro, já valeu tanto a pena. Porque em última instância, almas como tu e eu, encontram-se apenas uma vez na vida.

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