sexta-feira, julho 25, 2025

Dias iguais.

 

 

 

Novamente uma sensação de eterna insatisfação que se cola no lado esquerdo do peito. Os dias são enfadonhos, arrastam-se pela ponta dos dedos e emaranham-se nos cabelos. Não me sinto bem com ninguém, nem em lado algum. Um querer fazer mil e uma coisas ao mesmo tempo enquanto me enrolo em tantos nadas. Sinto-me invisível. Tenho uma dor angustiante que me consome por dentro e ninguém vê, mas que me trespassa o peito com a força de inúmeras facas. Sou um segredo. Estou escondidas nas palavras que não escreves, nas sombras que guardas nas cortinas da sala. Questiono-me o que faço aqui. Porque ainda escolho estar em nós? Ás vezes, só ás vezes, estar sozinha é a minha maior paz. Ser verdade, não ter que me afastar das perguntas nem fingir que as jocosidades não me magoam a alma. Ao mesmo tempo, sei que sentiria demasiado a tua falta. Sentimentos estranhos estes. Ter de lutar contra o que sinto em prol do que preciso. Os dias são de sol, mas eu toda sou feita de chuva. São dias cinzentos no meu interior. São existências nubladas nas coisas que sinto e não queria sentir. Não tolero ser inveja ou ciúme por serem sensações que me corroem, mas é um turbilhão de sentires que me devoram. Tento reprimir o mal que estes laços me causam e sacudo a cabeça, tentando não perceber que a conexão está se transformando em nó. Retiro da gaveta o silêncio que preciso para ouvir-me mas que me faz sentir tão sozinha. Nos gatilhos que aparecem do nada e levam-me para lugares escuros de onde pensava já ter saído há muito tempo. Digo sempre que estou bem. É mais fácil assim. Aprendi a fazê-lo para não incomodar ninguém. Hoje penso se antes de ter-me dado tanto a ti, não deveria ter cuidado de mim primeiro. Da mesma forma que deverias ter cortado o abraço que te sufoca há tantos anos. Nunca o vais fazer, pois não?  A sensação é de alma sugada. De vazio. De que tu não me vês nem entendes. E uma vez mais, vou ter que engolir o choro e seguir o caminho sozinha. Vou ter de continuar a fingir que nada me incomoda. Que ela não me atormenta. Porque afinal eu sou forte, tenho sentimentos, já sofri demasiado ao longo dos anos... mas ninguém se lembra disso. Nunca. Sou eu contra ela. Sou eu contra ti. Sou eu contra nós. Sou eu contra o mundo. Outra vez. Sempre assim. 

 

 


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