Hoje o amor da minha vida não pertence ao meu regaço. Não está enredado no meu abraço como outrora. Na quietude da cruel madrugada perco-me nas memórias suaves de nós dois onde o passado ainda dança e titubeia como folhas caídas de um Outono que por mim não passou. Cada sorriso nosso, cada palavra trocada, cada experiência entrelaçada, cada eco do meu amor por ti ainda ressoa nas paredes do meu coração. Fraquejo perante esta nova realidade e a dor acutilante que em mim a mesma produz. Olho para todas aquelas fotos, instantes congelados que deveriam pertencer-nos. Fui substituída por uma personagem secundária no momento em que me descuidei e desviei o olhar do teu. O teu rosto resplandescente, um sol que em mim nunca se apagou e que agora entendo que jamais me pertenceu. Na ausência do teu toque tudo o que me resta é a lembrança dos momentos efémeros que vivemos e que para mim foram reais. Ainda tremulam na minha alma. Amar alguém que não entrega reciprocidade é uma sombra que sei transportar no meu cerne, um aroma doce que não se desvanece mesmo sem a presença do sorriso, o tom da voz ou o calor de um coração. Mesmo sem o teu júbilo ao meu lado, carrego-te como um segredo, uma canção que toca embalada pela brisa do meu amor eterno num sonho que se recusa a adormecer. E em cada lágrima que desliza pelo meu rosto, um porquê que ressoa sem fim em mim. É um sentimento que não precisa estar perto para ser imenso e pulsante na dor da saudade que abriga. Um dia encontrarei a força que almejo para seguir, sabendo que ser verdadeira e amar com intensidade nunca será em vão, mesmo que permaneça sozinha enredada neste amor para toda a vida...

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