terça-feira, setembro 09, 2025

É amor, ainda é.

 

 



 

Eu não voltei a esperar por ti num canto esquecido da rua onde vives. Eu não voltei a escrever palavras com o teu nome. Não voltei a sentir o teu aroma inebriante impregnado na camisa que me ofereceste. Quase esqueci o som da tua voz e amaldiçoo-me constantemente por nunca ter pedido que me enviasses o teu timbre numa mensagem de audio. Mas não penses, nem por um segundo, que eu te esqueci ou que deixei de sentir-te. Mesmo não sendo eu a personificação do teu ideal de amor, eu continuo a desejar-te e a amar-te com cada fibra do meu ser. Aceitar-te-ia de volta em menos de um batimento de coração. Eu apenas resguardo-me. Resguardo-me nas lembranças, nos teus sorrisos espelhados nas fotos que te tirei imensas vezes para um dia mais tarde poder amenizar esta saudade que me devora. Escondo-me nas palavras que me acalmam o peito, aquelas em que dizias sentir amor por mim e que nunca conseguirias viver sem mim. Adormeço a dor nas memórias de nós, tentando ouvir ainda tatuada na minha alma a tua dicção quando me dizias "boa tarde" num tom de voz que me desarmava e fazia-me sentir a tua menina. Evito tudo o que me lembra de ti porque sei. Sei que se ouvir-te de novo, se voltar a ver-te mesmo que ao longe na tua mota enquanto te afastas para longe de mim, se reler as mensagens vezes e vezes sem fim, eu caio. Eu desmonto-me. Eu perco-me. Eu morro. Porque era amor verdadeiro. Ainda é. 

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