terça-feira, junho 25, 2013

A tua sombra desenhada (na pedra quente da praia).




Procurei-te hoje uma última vez, enquanto o sol abrasador baixava lentamente sobre os meus pensamentos. O mar sussurrava-me que te tinha perdido irremediavelmente, mas cerrei os olhos, mordi a língua de modo a evitar uma resposta devastadora e ignorei todos os sinais. Percorri toda a costa, acalentada por um cansaço extremo, mas impelida pelo meu suplicante coração que me impedia de parar; á espera de vislumbrar, para guardar nas minhas recordações, o teu extasiante rosto. Queria ver, numa derradeira oportunidade, o teu sorriso de criança a prender-se por instantes na minha face, o teu olhar cor de esmeralda a dirigir-se a mim, a tua sombra desenhada na pedra quente da praia. Não haviam vestígios de ali teres estado aguardando pela minha chegada, mesmo que sem grande ansiedade. Tentei encontrar traços teus nas pegadas deixadas na areia escura ou o teu perfume a ser embalado pelas ondas quentes do oceano, mas tudo o que me restou foi um rombo enorme no meu peito. O meu coração ardeu perante tamanha dor causada pela tua ausência em meu redor, expulsando do seu interior todos os sentires. Se havia alguém capaz de tamanha proeza, serias certamente tu. Nada me magoa tanto como tu, nem haverá nada nem ninguém que jamais consiga chegar perto do meu interior como tu fizeste. Reconstruiste esta alma lentamente, pegando nos pequenos pedaços deixados pelo teu predecessor e colaste-os com uma paciência infinita, fazendo com que te amasse com cada partícula minha. No entanto, enquanto me deparo sozinha na praia,  reparo que as provas que me indicavam que não eras somente uma miragem evaporaram-se e o silêncio ensurdecedor que se faz acompanhar pela solidão que cruelmente me envolve, fazem-me duvidar da tua existência, que um dia nos amamos de forma excruciante, que fomos indiscutivelmente um do outro e resta-me crer que foste apenas um devaneio da minha imaginação....