segunda-feira, novembro 05, 2012

Tempestade.


A saudade que me percorre os poros é intransigente, sussurram-me timidamente os sentidos. As palavras que jurei em silêncio nunca pronunciar, correm desenfreadamente e convergem na ponta de uma língua descarada que ignora de forma deliberada, todas as minhas promessas. Os segundos fogem-me por entre os dedos ávidos de ti e a tua ausência embala-se no pêndulo de um relógio que nunca aprendeu a que sabe a saudade, sendo sentida de forma cada vez mais intensa á medida que o tempo entre nós se entrepôe. O teu silêncio arrasta-se pela noite fria e martiriza o meu dolorido ser que, através de parcas questões, pergunta a si próprio como pode o seu invólucro revelar-se intempestivo e tumultuoso perante uma alma quase límpida. Eu pedi-te baixinho, com os olhos rasos de água com cheiro a partida, que não desistisses de mim, que esquecesses que sou inteiramente composta por falhas minuciosas e defeitos pertinentes que, frequentemente, sobrepôem-se ás rarefeitas qualidades. Assentiste com um olhar triste perante a minha tola insistência e eu, olhando as tuas mãos abertas e repletas de tudo e de nada, fingi acreditar que me perdoavas e que ainda me amavas como costumavas bradar com os pulmões cheios de sentimento. Mas palavras, palavras leva-os o vento rudemente; e, o que eu li nas entrelinhas, foi completamente o oposto do que os teus lábios pronunciaram. Julgo eu, podendo estar enganada, que proferiste exactamente o que o meu coração, carregado de medo e pânico, exigia, naquele momento, escutar...