terça-feira, julho 17, 2012

abruptamente.



" Arrancaram-no abruptamente dos meus braços " - soluçou ela. Sentia-se perdida, desamparada, mas acima de tudo, sentia que faltava uma parte do seu corpo e do seu ser. Rendida e apoiando todo o seu peso sobre os joelhos, olhava infinitamente o horizonte tentando perceber o que tinha acontecido. O perfume dele permanecia no ambiente e era o único indício de que não estava a imaginar a possibilidade de uma alma perfeita e que voltava a fazer tilintar o seu coraçãozinho, ser real. Abraçou-se a si própria para minimizar a dor da partida dele. Se ao menos ele tivesse tido o cuidado de  anunciar aos seus afectos que tudo acabaria desta forma ... sem uma nova oportunidade, sem um último beijo, sem um adeus. " Envolvi-me demasiado. " - pensou ela para si própria. Apaixonei-me irremediavelmente, causando a sua partida e ausência repentina e brutal de palavras. Sentia que era demasiado tarde, mas fez o que o coração lhe ordenou quando, por um mero acaso, os seus olhos identificaram-no sozinho e perdido numa tarde de verão. Aproximou-se, revestindo-se de uma coragem que nunca antes tinha sentido e pronunciou as palavras a medo. Prometeu a si mesma, resguardando as lágrimas que nunca chora mas que neste impróprio momento queriam tanto surgir, ser a última vez que lhe dirigia a palavra. Eram vocábulos trémulos, completamente amedrontados mas precisava urgentemente de arrancá-los do seu interior. Ele foi extremamente parco em palavras, mas não gritou com ela nem a magoou ainda mais do que já tinha feito. Sentaram-se os dois em silêncio, ela tentando demonstrar que o seu apoio era incondicional, ele apenas querendo esconder-se na ausência de ruídos e permanecer sozinho. Ela teve consciência que era, provavelmente, a última vez que o veria. Absorveu o máximo que conseguiu da sua essência almiscarada, o seu aroma inebriante a perfume e tabaco. Decorou cada pormenor do seu corpo, desde a forma como se sentara num banco qualquer até á maneira como manuseava o telemóvel nervosamente; desde a forma indistinta e peculiar das suas másculas mãos, até aos fios do seu cabelo cuidadosamente penteado. Apercebeu-se tarde demais que não o olhou nos olhos uma única vez. Ouviu todas as suas razões, disse ao seu coração para sossegar, que era tudo apenas uma questão de tempo... mas teve demasiado medo de ver nos seus olhos uma verdade diferente - um futuro em que ela, impreterivelmente, não fazia parte da vida dele. Afastou-se lentamente dele e deixou finalmente as lágrimas deslizarem pela sua face.

1 comentário:

Algo Estranho... Alguém Diferente! disse...

muito mas mesmo muito obrigada. como andas? <3