quinta-feira, dezembro 08, 2011

[Os afectos que nunca descrevi.]


Através deste alivio moderado que sinto no peito, percebo que após tantas situações em que me magoaste e desfizeste o meu ser, apenas para posteriormente reconstruires-me, sou imune á mágoa. Não me afundo nas desilusões que tentas provocar em mim como tantas vezes o fiz. Já não espero que mudes e de modo algum, acredito que alguma vez o farias por minha causa. Deixei de ser a menina ingénua que tanto te amava e que acreditava em cada sopro, cada letra, cada beijo. A tua alma disfarçada não me engana neste Presente e a ausência de sentires é agora bem clara. Meia dúzia de palavras entoadas sem significado não me fazem voltar a acreditar. Não sentes nada e ponto final. Estou bem, acredita. Não me cortas o coração aos pedacinhos com a tua escolha. Eu sigo em frente, de cabeça erguida e confiante. Aprendi, por tua causa, a valorizar o que sou, principalmente longe de ti. 
Abraço-me, com a ponta dos dedos bem quente, á certeza que um dia vou ser inteira invés de ser a metade que os teus semi-afectos acostumaram-me a ser. Digo-te, com pesar, que já não és o homem da minha vida. Duvido que alguma vez o tenhas sido. Os beijos, abraços, carinhos, vocábulos e olhares que me entregaste a meia medida souberam sempre a pouco. Foram vazios, atrevo-me a dizer. Ocos e desprovidos de tudo, tal como o teu amâgo.  A culpa não é tua, não chores. Entregaram-te uma pequena percentagem de essência e tu, emocionalmente incapacitado, não a soubeste desenvolver. Não me digas agora, que sabes estar a perder-me irremediavelmente, estar a ponto de absorver as palavras que te entrego nesta sentida e arrependida carta. As lágrimas á muito que secaram e voltarmos a cair nos braços um do outro, sem haver um profundo sentimento da tua parte, iria somente condicionar ainda mais a minha capacidade de sentir. Deixemos o amor repousar nas asas da lembrança, naquelas noites em que eu jurei ser eternamente tua, acreditando ainda que poderias um dia ser única e exclusivamente meu. Como eu era ingénua! Tola e ingénua! Acreditei no rubor das tuas faces e na cor azul que brilhava no teu olhar.
Hoje, não posso dizer que me arrependo de um dia ter-te amado mais do que alguma vez achei possível. Cresci, aprendi e sei, sobretudo, que nunca faria algo semelhante por outra pessoa. Tu ensinaste-me, por entre choros e ausências intermináveis, saudades embrulhadas em silêncio e promessas falsas no teu rosto, tudo o que o amor não deve ser. Sofrer não é certamente o caminho e contigo foi tudo o que, contra a minha vontade, fui forçada a compreender.
Com este adeus entretecido no coração e a alma nas mãos para que possa sentir o que estou a dizer, peço-te que esqueças de vez o meu nome e cesses de desenhar os meus desejos na lua a fim de nos encontrarmos. O nosso tempo morreu.

3 comentários:

Cath disse...

tenho de explorar o teu blog, estou a gostar :)
também vou seguir!

Inês Geraldes disse...

também gostei muito! adoro saber que se identificam :')
também me identifico com os teus, sigo.

Zanna disse...

Gostei :)
sigo :)