terça-feira, novembro 22, 2011

um amor assim.


Deveria ser apenas mais uma noite como tantas outras que por mim passaram e nada deixaram. No entanto, nesta gélida noite de Novembro e, pela primeira vez em muito tempo, a tua ausência afaga-me o rosto na expectativa de torná-lo, deste modo, cálido. Eu, receosa que o sofrimento viesse juntamente com a saudade reacender a dor que outrora inflamou o meu peito, fingi não notar a sua presença. Entrelaçei as minhas próprias mãos para sentir-me menos sozinha e imitei a minha forma adormecida. Completamente atormentada pelo medo que as consequências da minha farsa ser descoberta acarretavam, abraçei-me simuladamente á camisa que abandonaste juntamente comigo, no dia da tua partida. Sentir o teu aroma inebriante [julgava eu, tomada certamente por loucura temporária] acalmaria decerto a minha alma inquieta e afastaria de vez a sombra da saudade que pairava sobre mim. Se pelo menos neste  momento eu decidisse ouvir a voz da razão e esquecer de vez o teu nome, a tua voz, o teu olhar; o coração não teria, com efeito, murmurado á  funesta dor que me tentava por meio de intervalos regulares que eu mentia e que as lágrimas lutavam contra o meu intimo a fim de transbordarem. Limpei, quase de imediato, o pranto que me sufocava a tentativa de adormecer. O meu odor, impregnado na camisa que outrora tocou a tua pele foi o despoletar de uma reacção em cadeia que já se adivinhava inevitável. Recordei-me então porque motivo partiste e, como que acordada de um profundo coma, as lembranças roçaram-me a pele. Remomerei a existência dela e como ela bradava, com os pulmões cheios de ar como eras imprescendível. Evoquei ainda, com a dor quase a trucidar o peito numa angústia interminável, as imagens que fiz questão de guardar na memória no primeiro dia que vos vi juntos, enlaçados como eu e tu outrora estivémos. Suplantada pela mágoa que me carcomia cada um dos sentidos, deixei por fim cair a máscara manchada pela minha aflição e parti-me em inúmeros e irrecuperáveis pedaços para que nunca, jamais voltasse a sentir um amor assim.

5 comentários:

Dário Rodrigues disse...

Sabes Vanessa, tenho ciumes de ti!

Gostava de escrever como tu, e falo a sério. A maneira como constróis as frases... brincas com as palavras como o messi brinca com a bola.


Um beijo...

Algo Estranho... Alguém Diferente! disse...

gosto muito!

Catarina disse...

obrigada minha querida :) também já me juntei aos teus.

- MartaRibeiro * disse...

Obrigada querida e desculpa ;s

Vanessa Kiekeben disse...

obrigada :)

[Dário, que exagero. Consegues fazer muito melhor que eu, aliás :) ]