terça-feira, julho 02, 2013

O mais dificil.


Talvez o mais difícil fosse encontrar-te nas páginas dos livros que lia, enquanto deixava os cabelos soltos ao vento, sonhando com outras vontades escondidas nas entrelinhas.  Sentia um embaraço a corar-me as faces quando deixava a imaginação correr livremente, dando azo aos meus sonhos ardentes e improváveis. Quando me diziam que amar era esperar continuamente e perdoar com uma paciência infinita, eu não sabia que eras a definição que faltava na minha mente. O teu nome já corria ao sabor do aroma que pairava no ar e eu ainda não tinha cruzado a minha existência com a tua. Como se a tua presença estivesse escrita na minha alma desde sempre, sentia a tua companhia mesmo quando ainda eras miragem no meu coração e pretendia apenas deparar-me com abraços que me salvassem da perdição em que me sentia a decair, continuamente. Eras o desenho que faltava no meu ser, sem que eu sentisse essa ausência e essa falta absurda que afinal, se fazia sentir nas paredes do meu interior. Eras a calmaria que necessitava nas tardes de verão e o rosto de um crepúsculo emocionante nas noites de Outono. Já eras, sem que eu soubesse, o amor que me inundava, o vento que me atravessava a pele, o oxigénio que me violentava os pulmões. Pulsavas dentro do meu cerne sem aviso e sem permissão, prenunciando um sentimento avassalador, destruidor de outros sentires que tentassem nascer dentro de mim, e uma angústia exacerbante perante a tua vindoura ausência. A minha essência é agora constituída por estes momentos: instantes de um amor que me preenche de felicidade e alimenta um sorriso natural e duradouro; em contraste com lágrimas emergentes sempre que a saudade me entrelaça nos seus braços gélidos e me impede de perder-me, por mais alguns segundos, em ti.

3 comentários:

Nathália Souza disse...

Não sei o que dizer desse texto..essa vontade de encontrar um pouco de ti em outro..É lindo.

disse...

"Já eras, sem que eu soubesse, o amor que me inundava, o vento que me atravessava a pele, o oxigénio que me violentava os pulmões." adoro, adoro, adoro! está lindo, adorei ler isto!

claire disse...

Fantástico!