terça-feira, fevereiro 19, 2013

Tudo o que me resta...



Tudo o que me resta resume-se a permanecer deitada nesta cama fria horas e horas, agarrando-me á esperança de ainda conseguir sonhar contigo. Conheci-te o verão passado, recordo-me perfeitamente. Intimidaste-me no inicio, assustava-me a maneira como olhavas para mim. O teu ar inocente e pueril. Após as tuas insistentes tentativas de conquistar o meu coração, apercebi-me que o que sentia não era medo e que o sentimento que borbulhava no meu íntimo era afinal, algo que poderia alterar a minha vida. Naquele dia em que resolvi finalmente dar-te uma oportunidade, senti-me intoxicada pela confiança que irradiavas no olhar que dirigias a mim, enquanto estávamos isolados do resto do mundo, num momento que o meu coração descreveu como perfeito. Os beijos delicados e, ao mesmo tempo, devoradores sob a luz do luar fizeram com que o meu coração saltasse pela primeira vez, e quando os teus braços envolveram-me e puxaste-me ardentemente para ti, eu soube que era tua.
Fomos namorados durante cinco meses. Não me resta nada senão as fotos forçadas de alguns momentos que passámos juntos. Relembro-me de sentar-me á beira-mar, estremecendo com o gélido ar que me roçava a pele, ouvindo as tuas histórias enquanto as ondas rebentavam agrestemente contra as pedras que repousavam sob os nossos pés. Recordo, com lágrimas nos olhos, a primeira vez em que eu, sentada no parapeito da janela do teu quarto, abraçada a ti, ouvi-te sussurrar... " Vou dizer-te o que sempre quiseste ouvir..." E essa declaração prendeu-me os sentidos e fez-me acreditar que a nossa história poderia resultar.  Lembro-me de irmos ao cinema e não ter visto uma parte da película porque enquanto estava abraçada a ti, o teu semblante conseguia captar a minha atenção muito mais facilmente do que um filme qualquer. Lembro-me, com o coração apertado pela dor que me rasga violentamente as vísceras, de dizeres-me que me amavas e que querias ficar comigo para sempre...
Errei, acredito que sim. Assumi durante o decorrer da nossa relação que nunca me irias abandonar. Que os teus sentimentos eram duradouros e tomei-os como um dado garantido. Eu era o amor da tua vida e tu eras o meu amor. Nada poderia mudar isso. Ainda que soe permanente e perfeito, foi o que nos destruíu. Magoámo-nos mutuamente. Nem consigo descrever em palavras o quanto me magoaste, e, agora que penso nisso, o quanto te magoei. Apenas porque sabiamos que o outro estaria sempre lá, indiscutivelmente. Lutámos contra a dor, afundando-nos na intensidade do nosso amor.
Lembro-me de pedir-te que sempre me contasses a verdade, por muito dolorosa que a mesma fosse. Consigo ouvir as palavras que me retorquiste, a repetirem-se continuamente na minha mente - " Prometo". E prometeste. Juraste não pronunciar mentiras e com um ar cabisbaixo, disseste-me não querer perder-me de modo algum. Tudo mudou. Ainda eras meu e eu era tua, mas estávamos a brincar com este amor. Beijámo-nos, dormimos juntos e prometemos ser eternamente um do outro. Usámos o nosso imenso sentimento como um plano secundário até que, por fim, toda a dor acumulada dentro de nós destruiu tudo o que conheciamos. Mata-me saber que não lutei por ti quando o deveria ter feito e que agora, é demasiado tarde.
Estamos tão distantes um do outro que sinto que deixei de conhecer-te. Ainda assim, não consigo esquecer-te nem a esta angústia que irrita constantemente a minha alma. O meu amor por ti é incondicional. E, uma parte de mim, ainda acredita que o teu amor é também desmesurado, que pensas em mim todos os dias, como eu em ti. 
Tudo o que me resta é permanecer deitada nesta cama para que possa sonhar contigo sonhando comigo. E com o dia em que possas ser meu novamente. Nunca deixarei de te amar...




4 comentários:

Mary disse...

está lindo :x
nunca deixes de sonhar, há quem diga que os sonhos se realizam.

Maria Viana disse...

força querida. foi mesmo comovente!

joanaf disse...

lindo!

Sofia Teixeira disse...

Que lindo o seu blog, amei! Vou seguir-te, passa depois pelo o meu blog se quiseres.

Beijinhos ;)