domingo, maio 27, 2012

Teimosia.



Debruçei-me sobre o aroma que invadia descaradamente o meu coração. Tinha o teu nome tatuado em cada aresta, em cada resquício do que foste um dia. Recordei, ainda que contra a minha vontade, os momentos em que éramos uma unidade e eu respirava a tua essência. A felicidade colava-se ao meu corpo e os sorrisos rasgavam-me os lábios, moldando inconscientemente a tua forma. A minha mente insiste em recordar, mergulhada em branda nostalgia, o amor que me movia e o tremor que sentia no meu cerne apenas por um leve pensamento que envolvia tudo o que és. Não devia viver de passado, mas não tenho as forças necessárias para esquecer-te. Por mais que lute contra o sentimento que habita no meu peito desde sempre, a entrega que te prometi, com o coração nas mãos e medo no olhar fragilizado, impedem-me de querer alguém que não sejas tu. Adormeço os sentidos o melhor que consigo e finjo ser alma forte e independente. Dissimulo as vezes em que me sussurras aos ouvidos precisares de mim e refugio-me nas forças que já não possuo. Grande parte do tempo, sinto-me razoavelmente bem longe de ti, mas em datas que se revelam significativas para o meu interior, é impossível evitar sentir-me assim, quebrada, estilhaçada, abandonada. Presumo que as minhas palavras expliquem o aperto no peito e a lágrima teimosa que hoje decidiu surgir e deslizar pelo rosto cansado...

5 comentários:

Rita disse...

Força princesa!
O texto está lindo, mas triste :*

Sayuri Okamoto disse...

difícil quando nosso querer, se torna total outro..
ontem apenas vivi um momento que eu achava que não ia viver tão cedo, foi bom? Sim, foi bom, deixou marcas, agora me resta apenas saber o que será de agora em diante...
mas vivo apenas sentindo o que ainda me resta aqui na alma e no corpo...

beijos ♥

Joana Nogueira disse...

Percebo-te, é lutar contra o pedido eterno do coração... Mas desejo-te muita força! Já agora, escreveste um texto esplêndido, está mesmo maravilhoso :)

Vanessa Kiekeben disse...

obrigada meninas <3 Sou de sentimentos inconstantes, ora feliz, ora infeliz! Assim é a vida...

Gonçasonblog disse...

Aprecio a forma como escreves, sucintamente: e o que escreves também.