sábado, janeiro 28, 2012

marcante.



Partiste sem te importares com o que deixavas neste coração tresloucado. Saiste pela porta dos fundos e abandonaste em mim todas as frustrações que costumavam ser tuas. Hoje, aliados á saudade que teima em não se afastar do que sou, guardo em mim os nefastos sentires que te tornavam na ausência de carácter e personalidade que sempre foste e em que planeavas tornar-me. Tencionavas fazer-me cópia tua e desprender-me da razão que me guiava antes de, erradamente, conhecer-te. Ou, pior ainda, permitir que me conhecesses. Arrancaste-me todo o orgulho e, com sorrisos presunçosos, arrastaste a minha alma, vezes e vezes sem conta, pelos caminhos da amargura para que eu deixasse de sentir. Querias que eu jogasse o coração ao mar para que o mesmo se deteriorasse na imensidão do mar salgado, tal como fizeste com o teu á alguns anos. Presumo ter sido o único momento em que me rebelei e juntei os lábios em forma de não. Em todos os outros instantes, a minha fraqueza provocou-me repetidas náuseas. Julgo que, em momentos de insanidade, ausentei-me do meu próprio corpo e  presenciei com raiva os actos enlouquecidos que cometia em teu nome. Assisti a tudo,sempre envolta em ódio, desespero e agonia. Não eras tu, no entanto,o objecto da minha revolta e sim o meu próprio ser. Nunca percebi porque permiti que me tratasses dessa forma incompreensível e cuspisses emocionalmente no meu espírito. Violentavas o meu coração e eu, cega por crer nos sentimentos que fingias  abrigar em ti, não me importava. Tentei repetidamente libertar-me desta sofreguidão que me arranha a possibilidade de uma existência tranquila; todavia as entranhas ainda guardam a tua saliva e o teu odor continua entrelaçado em cada pensamento e, por mais anos que tenham passado desde o dia em que partiste, acredito que a parte de ti que em mim abandonaste, continuará a ser sempre a mais marcante, até que um de nós morra.

2 comentários:

- MartaRibeiro * disse...

Força minha querida :x

andrii disse...

Meu Deus, que texto lindo!
Força, está bem?
sigo*