terça-feira, agosto 11, 2009

Leave the lights on


É quando te enroscas por debaixo dos lençois, sentindo cada gota de sangue a percorrer o teu gelido corpo, que sinto cada milimetro do teu corpo a pulsar. Sei perfeitamente que não é assim que queres adormecer,pensando nas fibras dos lençois em que repousas o teu pueril corpo, mas qualquer pensamento é melhor do que pensares no que pensaste o dia todo.
E este conforto embala-te no silêncio da noite como o abraço que querias esta manha e não tiveste.Não importa que este seja mais leve, é muito melhor que a maldita culpa que guardas no teu coração, nos teus ombros, na tua ignobil consciencia.
As quatro chávenas de café que tomaste já nem te afectam porque esperaste por este momento o dia todo - o pequeno e insignificante reflexo da luz do sol aparece e a tua oportunidade de dormir um pouco passa. Tens então de engolir em seco,logo agora que as tuas pálpebras insistem em se fechar, caso contrário seria outra noite desperdiçada relembrando uma voz e uma face que não te pertencem, não importa o quanto te esforçes.
É nessa altura que te vês forçado a adormecer, quer te sintas confortável com essa situação ou não, senão corres o risco de te tornar num paranoico com insónias tentando encontrar alguma paz interior,mas sem sucesso algum.
A escuridão acaba inevitavelmente por se apoderar de ti,os cobertores oferecem apenas frio que desejas tão avidamente substituir pelos braços que costumavas amar e rapidamente tornas-te numa concha inócua tentando dormir com a horrivel sensação de quereres alguém que jamais poderás ter, aquele profundo e instransponivel sentimento de que vais sempre dormir sozinho...

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