domingo, agosto 26, 2007

O meu mundo morreu...


Houve dias e noites em que o medo de te perder me atormentava, me adoecia, me deixava parada a um canto, isolada, castrada de todos os sentimentos e o corpo doia-me. Doia-me a alma, doiam-me os pensamentos sempre repetidos, as horas que não passavam e a tua ausência. Passava horas esquecidas à janela, na esperança de te ver chegar. Por vezes a chuva molhava-me o cabelo e confundia-se com as lágrimas que me molhavam as faces empalidecidas, tristes, alheias. Caminhava descalça, no escuro, pelos corredores da minha casa para me manter acordada.
Mas tu não vinhas.
Lembro-me de te pedir para não ires pois sabia que seria mais uma noite de solidão, mas mesmo assim, tu não me ouvias, não lias nos meus olhos que o cansaço e o gelo estavam a vencer-me, à medida que tu me ias perdendo e as forças me iam faltando.
Não quiseste saber.
Hoje não fazes parte da minha solidão. Se estás, penso que seria melhor que saisses. Quando te ausentas, todo o meu mundo melhora, mesmo que por todos os cantos estejas tu, o teu cheiro, a nossa vida, mas tudo isso se torna suportável, porque já tanto me faz. Ensinaste-me a indiferença, sem saberes. Deste-me força para me olhar ao espelho e ter a certeza que sou bem melhor que tu, bem mais pura, bem mais limpa, bem mais honesta. Bem mais humana. Sou eu. Tal como sempre fui, os meus príncipios não mudaram.

Dizes por vezes que mudei, que já não me conheces. E eu respondo-te que nunca te conheci que fui simplesmente iludida e que foste apenas um sonho que eu sonhei, do qual fui acordando lentamente. E tu não compreendes quando te viro as costas. Não compreendes o meu casulo, o meu silêncio. Não sabes que a minha maior força está na tua fraqueza. Que só mudei para ti. Mas sabes que se houver um dedo a apontar, ele está na tua direcção e é isso que te dói. O não poderes alterar o passado.

Estou por vezes só. Muito só. Só comigo mesma.
E preciso dessa solidão, agora que me estou a reencontrar. Agora que não me fazes falta e já não tenho medo de te perder porque há muito que nos perdemos um do outro.

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