domingo, abril 15, 2007

Angustias pos coito


E o que fica é o abandono, as minhas pernas a fecharem-se no medo de não voltares, a sentir na minha pele o desenho da tua força a desprender-se num desejo inacabado, mentira tu num adeus a enganares o tempo da minha imagem abandonada nesta cama, e eu peço-te mentira o teu amor a apagar-se na distância de uma palavra deixada por ti no meu peito, o que fazer com a mentira tu a saíres de dentro de mim, não corpo a lutar por uma felicidade que nunca coube nesta casa, estranho a tua coragem de vidas perdidas na minha, eu de rastos e ardente na loucura de te seguir, não corpo desistente e adormecido na injustiça de me tocares, sempre olhaste uma mulher como se te perdesses numa cidade irreal, eu as tuas ruas de solidão e embriaguez, eu o teu engano preferido e calmo como se entrasses no bar mais próximo e te perdesses num longo silêncio, mas tu ingeres os meus sentimentos e assim vives na violência de me amar, mas tu és a mentira que se veste de emoção para dares um sentido a tudo o que é falso, e o que resta da tua força é a minha fraqueza de te amar contra o tempo, porque eu sou o abandono da tua inconsciência, e a tua fuga é uma viagem no meu interior, tu prisioneiro daquilo que abandonas, tu homem falso no movimento amoroso do teu coração, nunca sabes a dor que pisas na tua cegueira, e nunca o meu sexo para curar os teus remorsos, e nunca o meu corpo como um caminho que transportas no teu esquecimento, e nunca o teu desprezo para me convencer que não presto, homem falso da minha vida, o meu silêncio é o teu pesadelo, oh! como eu sei lutar na tua ignorância de me sentires perder, como eu sei vencer quando acreditas que me eliminaste sem tragédia, o teu amor é uma violação contra todos os sentimentos, amas na violação de sentires o que não podes fazer sentir nos outros, o meu desejo contra tudo o que perdes, a minha angústia contra tudo o que abandonas, deixa-me só nesta cidade decorada por esta cama, silêncio viola-me dentro do teu pensamento, siêncio aperta-me num gesto frio sem a tua presença, cai neve nos meus seios, nenhum orgasmo quebra o gelo do amor que sinto por ti.

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