quinta-feira, dezembro 07, 2006

Prometi-te a ninguém e a mim ...


E a partir de certa altura já não vou querer ouvir a chuva a cair e o vento a soprar, como oiço agora. Já não vou querer mostrar que oiço o mesmo que tu. Não quero sequer imaginar que também estás atento ao que se passa lá fora enquanto fumas o teu cigarro e pensas quando será a próxima vez que te irás embebedar. E eu, já não vou querer beber só mais um bocadinho para depois ter a coragem nojenta de te dar uma testa de conversa numa noite em que tu próprio já não sabes com quem falas. Vou querer sair á rua sem pensar se te vou ver, ou se por acaso alguém vai comentar que me viu para tu ficares interessado. Quero deixar de ter interesse por mim mesma, apenas por um dia, e vestir-me apenas porque está frio ou calor, e não para te agradar. Ainda oiço a chuva, fantasia tua. Quero dar-te aquele desprezo que tu adoras abraçar quando passo por ti. É tão bonito não é? De tão belo, fere. Já devias saber isso, mas um dia mostrar-te-ei como dói. O vento trazer-me-á o fumo do teu cigarro? Ainda o oiço, e a chuva cai com ele para me lembrarem que escrevo sobre ti. Porque até agora pensei que escrevia apenas o que queria apagar de ti. Estas palavras são a coisa mais cruel que alguma vez poderia ter guardado. E ainda mais cruel é o facto de ter plena consciência de que escrevo mesmo sobre ti. Inocência quando te apagarás? Quando me deixarás inutilmente á deriva? A chuva cai, o vento sopra e eu continuo. Não continuo pois...


...a pensar em ti (as palavras bastam). Sabes que mais? Apaguei-te mesmo. Deixei de te gostar. Enjoei-te de tanto escrever sobre a tua pessoa. Enjoei-te e deixei-te num canto, para que fumes o teu cigarro ao som da chuva que eu sei que partilhamos. Prometi a mim mesma que hoje será o último texto em que entras com as tuas histórias de príncipe díficil e princesa apaixonada. Prometi e enjoei-te tanto...


Prometi-te e enjoei-te, amor...

P.S. O doce não é tão doce, se não houver o amargo.