quinta-feira, dezembro 07, 2006

Pedaços de iogurte ( e a falta que tu me fazes)


Era, era uma menina como tantas outras. Ria, brincava, saltava, andava a chuva, cantava...Tinha amigos e saia, divertia-se como qualquer menina da sua idade e fazia o que qualquer uma outra fazia. Os amigos gostavam dela e ela gostava dos amigos, tinha uma família que a adorava e ela amava a família da mesma forma. Era feliz, esta menina...era mesmo feliz. Por vezes tinha momentos de fraqueza, tal como todos nós, tal como as outras meninas da sua idade. Chorava porque estava triste, chorava porque algo corria mal. Era nostálgica e choramingava a pensar e a sonhar e chorava também de alegria por recordar. Oh! Essa menina adorava recordar, pensar nos momentos mais bonitos que vivera, principalmente com os amigos, com quem passava a maior parte do tempo e com quem passára tempos felizes. E os amigos...os amigos! Ela adorava os amigos! Mas...havia algo de que esta menina sentia falta, uma ausência pronunciada. Esta menina tinha amigos, família e uma vida feliz, em risos e cumplicidades, noites maravilhadas e estrelas divididas, sorrisos quentes e momentos partilhados. O que ela não tinha eram beijos melosos e abraços aquecidos, olhares amados e toques perfeitos, corações trocados e loucuras bonitas. Paixões, amores, nada disso o coração conhecia. A menina era feliz...era tão feliz, mas faltava-lhe o sabor especial, a doçura bonita. A menina era feliz, mas faltava-lhe. E amigos e família, e risos e brincadeiras continuava a ter...e era feliz, era feliz!
Eu, eu sou como esta menina. Sou feliz. Tenho uma vida feliz. E só o facto de pensar nisso, fico ainda com um sorriso maior. Mas...claro está, falta-me algo. Falta-me o apoio de alguém especial, falta-me aquele beijo, aquele abraço, aquele toque...ai aquele toque! E aquele cheiro, aquele sorriso, um olhar...aquele olhar que certamente vocês conhecem. Uma cumplicidade desmedida e um silêncio partilhado por palavras não serem precisas. Aquele aconchego que só vai quando nos vamos...Aquele, aquele, aquele. Podia ficar aqui a inumerar tudo aquilo que me faz falta e que adorava ter, um dia.
Portanto se me perguntarem se sou feliz, sim sou, mas se me perguntarem se me falta algo, falta aquela pessoa que me abraçará o coração, como pedacinhos de iogurte, numa doçura estupidamente exagerada e melosa.
Sim, falta , faltas-me tu que não sabes o quão me fazes falta. Tu, que és feliz e não sabes desta ausência...desta tua ausência, em mim.

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