quinta-feira, dezembro 07, 2006

Fogo suave em que me ardes ...


Depois vens-me tu com essa permissão desbocada de asas tortas metricamente recortadas. Tão belas. Tão súbtis...tão tortas, amor. Este sentimento de papel cavalinho. Esta luxúria figurada em carrocéis de bandeja. Esta luxúria, amor, de trazer e não dar, de ter e não querer. Esta cor deslavada, valsa comprimida á música que oiço sem te ouvir. Esta distância tão aquém de quem a quer, assim sem falar, sem cantar. Sem dançar. Valsa comprimida sem dança, amor. Esta minha chama tão pobre e pertinente. Tão pobre e pertinente. Retalhos de tecido cortado. Retalhos de fogo aquecido. Flameja assim sem querer, assim sem pedir. Flameja e queima sem desviar, sem olhar, sem amar. Não desvia este amarelo e laranja que arremessa o coração. Amarelo e laranja pobre de vermelho da paixão. Paixão tão louca e gigante, amor. Tão louca e agitada de doce cizento. Doce cinzento em dias de facilidade. De sorrisos ou de conversas afiadas á história que voa por folhas de papel azuis prateadas. Amor, e essas asas de dragão, da pequenez da valsa ou do fogo pobre de tambores amorosos. Amor, e essas asas que apagam a vez de quem as tinha. A vez de uma história que não a minha. Permissão desbocada, amor, beleza sôfrega e tão estupidamente cobrada. E num desses dias o fogo...esse fogo é sauve, em ti amor.

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