terça-feira, dezembro 05, 2006

Black horses and wishing wells


A preceito. Chovem-me outras tempestades no ombro. E já disse que estou farta de metáforas? Mesmo assim, afirmo-te. Com um não redondo aos meus gestos mais perfumados de ontem para amanhã. Gostava de nos atirar ao mar, assim como faço ao saco cheio de eufemismos, personificações e outras magias apalavreadas que começo a achar miseravelmente inúteis. O sarcasmo dá-me a mão e eu tomo-lhe o gosto. E gosto-lhe tanto dos dedos aninhados na ponta da língua. Ironia ou não, leva-me o sorriso para trás das costas e transforma-me num ou outro ponto de interrogação a sinais vitais do músculo cardíaco. Pelo menos, fico na salvaguarda de não despentear esse, a um amor mais pendurado do peito. É que depois queima, faz comichão e perfura alguma saudade na consciência. A minha, que de letra a letra escorrega nos primeiros milímetros de cada memória mais ajeitada ao quente de nós mesmos. Apercebi-me, a brindar ao tanto faz, que aninhas-te umas quantas páginas de arremeso e noites passadas. Aquelas de meninos, meninas e travesseiros mais acordados de céu escuro. Tu sabes...Loucamente esqueceste-te da mão na anca e da perna na minha. Assim, moldar-te aos lençóis e às borboletas nocturnas ou atirar-te com toda a certeza à esquina da última onda, será no mínimo igual. Perdoarias mais uns tantos copos a uma canção feita na rua das calçadas? A rua que conhece o cabelo salgado de querer e o pé doce de desejar. Esse querer tão invejoso. Tão tanto, tão tudo e tão nós. Leve. Porque eu tudo acho, leve e sentido num beijo guardado em gavetas de quatro portas. Num beijo que eu sei ter, mas não sei sentir. Ora, mais uns sinceros prometidos, pendurados da orelha. Nús ao espelho, todos por mim. Enfim. Afirmando assim estar farta de metáforas, engolirei numa esquezofrenia inventada de mais uma ou duas histórias de amor. De barriga cheia, mas de mão vazia de mel. E tu sabes... Que de mansinho és isso, e tudo.

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