quarta-feira, outubro 18, 2006

Reticências ...


Pois era. E agora o que vais fazer?

Já te disse, a nossa história é composta por intermináveis reticências, não sabes escrever vírgulas, não sabes colocar um ponto final, tens medo de fazer parágrafos e muito mais medo de terminar ou recomeçar um capítulo. Tens tinta, tens folhas em branco, devolvi-te, pois inicialmente eram materiais que estavam na minha posse. Fui eu quem escreveu o único texto com coerência nesta história, posso ter escrito mal, ter errado a colocar uma vírgula ou usar também reticências a mais, mas a verdade é que escrevi. Tu, nem isso. Tu perturbas-me, confundes-me como nunca ninguém confundiu mas apenas és
mais um desafio.

Gostas de viver em ilusões tu, ilusões essas, tudo rabiscos, esboços, o teu caderno de esboço daquilo que pretendes fazer na realidade, mas não o fazes, as páginas da nossa história continuam em branco. Nossa? Alguma vez existiu um "Nós"? Para ti, não deve haver nós. Para ti, existe Eu e uma Terra de Ninguém envolvida num controverso Paradoxo de mentiras e honestidade ingenuamente elaborado. Sempre houve.

És ingenuamente boa pessoa. E mais uma vez me disseram, que eu era incapaz de escrever pontos finais, gradualmente transformei-os sempre em reticências, não consigo colocar um ponto final, a caneta que me deram escorrega e coloco dois pontos a mais.

O teu mundo imaginário está cheio de riscos e reticências a mais.
Como queres que eu consiga ultrapassar os riscos quando tropeço nas nossas constantes reticências? Estou farta de cair e tu nunca estás lá para me segurar a mão, estás antes sozinho sentado a olhar para o vazio, a arquitectar labirintos, julgando-os ninhos que me seguram, acalamam-me e reconfortam-me quando a minha queda tem o fim. Como te enganas, como estás enganado. Em vez de me ajudares, ainda me fazes perder mais, não sei se é de perpósito ou não que vejo tantos becos sem saída. Tento fugir. Tento fugir, tento fugir, tento fugir, tento fugir, quero odiar-te, quero odiar-te, quero odiar-te, o meu ódio fazia-te acordar, enquanto o meu amor faz-me a mim dormir ... pior de tudo, ter pesadelos. Enquanto durmo agitadamente, tu estás acordado agitado, perturbado, confuso, perdido e comigo adormecida, arrastas-me contigo, afundas-me.
Quero acordar, estou naqueles pesadelos onde lutamos para abrir os olhos! Naqueles pesadelos em que pecorremos sempre o mesmo caminho e caímos nos mesmos lugares, erros, distracções. Aqueles pesadelos onde sentimos que alguém está sentado no nosso peito, sufocando os nossos corações. Isso, tu sufocas-me.

Liberta-me.

Tu fazes-me doente.

Porque . . .

estupidamente . . .

Amo-te

1 comentário:

Raquel Pires disse...

Eu nunca me senti tão vazia, tão leve, tão lida como ao ler isto!
Obrigada por existires e escreveres!