quarta-feira, outubro 18, 2006

Perdoa-me ...


Algo mais místico e inexplicável do que a morte são os próprios sentimentos. É o próprio coração que me venda os olhos para ti e me entala as palavras, mantendo a minha boca fechada com as lágrimas escorrendo pelos lábios. Sinto-lhes o sabor, sinto o sabor da dor. Não há palavras que possam descrever tais sentimentos, amor, angústia, dor, sofrimento, paixão, desilusão, desespero, são termos demasiado banalizados para caracterizar um estado de espírito tão profundo e bloqueado nas profundezas do nosso ser. Que palavras novas poderão inventar para tal? Os verdadeiros sentimentos são coisas que não vêm no dicionário.
Perdi a chave do meu coração, não consigo libertar nada, perdi-lhe o controlo, mantenho tudo fechado num quarto, num fragmento extenso do meu coração do qual não tenho acesso, para soltar toda esta complexidade de palavras que ficam por dizer, ou melhor, para soltar-me da necessidade de procurar no dicionário as palavras que completam o vazio.

Pedes-me para arrumar tudo, mas como é que vou arrumar tudo o que sinto se todos os meus armários e cantos negros de mim estão preenchidos com coisas que não consigo deitar fora? Não há mais espaço para mais uma história.

Queria tentar perceber que verbo o meu coração escolhe para ti, o verbo amar ou odiar?

Sem comentários: