sexta-feira, agosto 25, 2006

Volta, volta, volta...


As imagens fogem com medo de meus olhos inchados de tanta febre inebriantes; misturada com uma dor de cabeça constante.
Os dias são tardios, as tardes longas, as noites longas.
Meu pescoço enche-se de inchados e de ínguas; não, não sei o que eu tenho; sei que meus olhos já não funcionam como há dias atrás, e que minha mente está vazia e não pensa em quase nada. As letras de um teclado velho se fundem e se inebriam á volta dos meus dedos levemente anestesiados; no momento sem febre, mas ligeiramente dormente se encontra minha pele. Minha retina deve estar dormindo; e a dor de cabeça deve ser culpa não sei de que parte.
Às vezes eu passo mal, muito mal; mas por esta vez não é culpa da mente, e sim da invasão de alguma doença, que não, não faço idéia de o que seja. Não entendo mais nada, mas meus músculos doem; e os dias longos ferem meus olhos com essas luzes claras por demasia.
Meu estômago reclama, passo mal muito mal; uma fome constante se esbarra com uma repugnância a alimentos; é o gosto de pus, é o gosto de sangue de ontem. O dia faz sol, o vento sopra frio no inicio de outono; eu acordo e vejo o tecto escuro, o quarto escuro, não é dia, também deixou de ser noite há horas; a agulha que raspa dentro de meu pescoço me incomoda; está frio, ou será febre? Não sei, os dias andam com um gosto podre não acham?
Ou é apenas em meus dias que o gosto de pus, sangue e fumaça de outros dias prevalecem; este deve ser o gosto de âmago, gosto de necrofagia. Não é prazerosa essa necrofagia passiva de minhas amígdalas, elas doem e adormecem e doem; incomodam ao ponto de me acordar de um sonho no meio da noite, por não agüentá-las e não agüentar esse gosto de amarelo manga, amarelo bem manga.
Às vezes vem a fome, esta faz meu estômago embrulhar. Mesmo que passe por feridas abertas, a comida não poder ser degustada. Tudo tem gosto de âmago, até água têm. Quem sabe amanhã passa, amanhã tem que passar; passou mais de uma semana sofrendo de dores constantes, que viajam pelo corpo de formas mais diversas / adversas.
E a febre, a febre que não me abandona, que de confortável não possui nem o rastro. A comida não desce, a água não desce, o pus sobre e desce criando uma roda-gigante brincando de montanha russa. Meu estômago entrou de greve; quer me abandonar numa vontade repulsiva de vomitar tudo. Quem sabe vomitar o almoço que mal comi, ou o café regado de comida ao gosto de âmago.
Literalmente minha vida está sem gosto, minha pele quente, minha garganta escorrendo; não como na musica por problema de coração; apenas por patologias que às vezes me incomoda com a constância. E ele gira gira gira; mas não se vai. Ela escorre pelas paredes epiteliais se misturando em tintas amarelas esverdeadas, com respingos de vermelho.
Porque eles sempre chegam levando meu animo embora quando não estou sofrendo de cálidas aspirações de felicidade?
Volta volta volta volta volta ....

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