sábado, julho 15, 2006

Entrelaça-te no meu texto


Não me digas que gostavas mais de mim quando eras meu. Não digas as histórias que nunca foram escritas porque a tinta acabou de se espalhar pelo chão.
Apanha-me ao apanhar-te e deixa que a corrente de ar passe. e não digas que gostavas mais de mim quando eras meu, porque esse tempo passou por nós e não nos convidou para entrar nem na minha, nem na tua casa.
São só enganos e desenganos que nos custou os olhos quando já não existe água potável para dar de beber à pele. Tracei planos em papel milimetrico e escorri com o lápis na esperança de não ter de usar réguas, porque exigir amor é demasiado para mim e eu só te queria um bocadinho.
E em bocadinhos se desfizeram três sonhos. Eu só te queria um bocadinho. Um bocadinho de ti para andar na rua de cabeça erguida e deixar de chorar por mais de três horas.
E não, não me digas que gostavas mais de mim quando eras meu, não há saudades, não te há para sentir falta. Estás e não estás, mas enquanto estás diz-me o que se fez de nós quando éramos da primeira pessoa do plural. O plural faz-nos ser nós nem que seja por três segundos: um segundo para cada sonho.
Não, tu nunca foste meu, então não digas que gostavas mais de mim quando eras meu. A repetição derrete-me. E eu derreto-me com palavras. derreto-me com o derreter dos sonhos. e tu... bem, tu derreteste-te há milhões de segundos atrás. Eu vi e gostei. Aplaudi e beijei. Tu sabes que beijei e sabes que sorri quando sorriste.
Era tão bom desenhar-nos em telas e decifrar o que não queremos. Eu sei o que tu queres e não o posso escrever num programa do office com a pseudo-janela em branco. Não posso descobrir processos de alimentação sem corrente. Mas posso te dizer que tudo conspira ao meu favor mesmo quando me atira para o chão e faz de mim fonte, mesmo quando me desaparece tudo o que fiz, ganhei ou tinha, mesmo quando me desaparece a alma, porque tu não me dás alma. Tudo, tudo conspira ao meu favor, tudo me é dado se eu realmente precisar, o que não tenho não uso e se tenho abuso, porque é meu e apartir de agora tudo conspira ao meu favor.
Só não me digas que gostavas mais de mim quando eras meu só porque, por momentos, passou-te pela cabeça que alguma vez deixaste de o ser.

6 comentários:

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