sexta-feira, junho 30, 2006

Pinturas a óleo ( a mil cores de alguém )


Nunca tive jeito para introspecções. Faço-as claro, talvez até vezes demais, mas passá-las para palavras é-me bastante dificil. Queria dizer o quanto sofro contigo e não sou capaz...
E, quando estou quase a fazê-lo, lá vem mais uma tentativa esperançosa de te ter. Como agora... as palavras traem-me tanto, e como já li algures, the words have two meanings. Atiram-me contra ti porque a esperança é a última a morrer, e em mim nunca morre, vive por mim, por ti e por um nós algo distante daquilo que imagino e sonho vezes sem conta.
Quando nos pinto aos dois lado a lado, só queria poder recortar esse pequeno fragmento e colá-lo junto ás palavras que tantas vezes escrevo sobre ti.
Queria poder ficar com a carta de amor que nunca chegará a nenhum de nós. Queria escrever esses momentos tão nitidos como os tenho em mim. Mas nunca sou capaz... não estou a ser capaz.
Essa carta de amor, que tanto espero de ti, tenho eu em mim, não em caligrafia mas em imagens de momentos que queria ter como só nossos, que infelizmente são só meus.
Sou daquelas pessoas que é capaz de se deitar a pensar como seria bom ficar ao lado de quem se ama, passear, correr, saltar com aquela pessoa... Depois, ao levantar, pensar que nem vale a pena perder tempo com quem não perde o seu connosco.
Mas depois, como em todos os loucos de coração, vem aquele ciclo vicioso, aquele vicio de querer e não ter, aquele vicio de gostar, sem querer amar. As divagações levam-me a achar que és mesmo um vicio. Latejas em mim como tudo em mim lateja por ser natural, corrois-me ao mesmo tempo que alimentas todos os meus sonhos e sonos onde me acompanhas ao adormecer.
Corrois-me as palavras por tão poucas ofereceres. Corrois-me e quase me atraiçoas como estas palavras que aqui escrevo. Oxalá fosse como a música, encanta e nunca desencanta a quem a ouve por amar.
Tento afirmar a mim mesma que este gostar-te não é verdadeiro, mas até nas palavras há o reflexo de alguma coisa. Aquele reflexo que me deixa de pé atrás em todas as decisoes que tomo para esquecer.... E nesse meu esquecer, lá vem as palavras trocadas e os sentimentos moldados para mais uma batalha entre mim e a tua presença tão constante nos assaltos de consciencia. Esta presença que me mata as palavras. E matas tão bem, porque nem delas retiro refúgios ... esses refúgios malditos em que me tento deslindar agora mesmo.
The words have two meanings e amanhã vou querer ter um outro lado que não este e não vou conseguir, porque lá estarás tu pronto a assombrar a minha carência por ti, a minha alegria por sonhador e te tornares em mim...
E eu nunca tive jeito para introspecçoes... sobre ti.

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