sábado, junho 24, 2006

A minha pedra de papel


Existem dias em que aparentemente estamos bem. Queremos estar bem. Mas não é assim tão fácil.
Lá no fundo a alma grita á consciência e diz que nada está bem na verdade. Quero estar sem apenas estar, mas existem sempre memórias, divagações, situações que me perturbam e roubam alguma paz que tenho acumulada.
Depois vem de novo a tristeza aprisionada, a melancolia, o desespero, a angústia, a solidão involuntária e por vezes forçada. Porque é sozinha que a minha alma sonha. Sozinha. Solidão ... quando estamos rodeados por pessoas que nos amam, mas na realidade desesperamos por alguém que nos preencha.
É tão triste, tão egoísta ter este sentimento... porque eles amam-me mesmo! Mas não, lá vem de novo o coração a chorar na razão, e o cérebro (devo dizer coração?) não pára... amor, amor, amor.
Chega! Não quero mais! Chega de múrmurios sobre principes e princesas. Chega de beijos encantados e canções infantis. Não quero mais. Não quero. Apenas quero, quero... se eu soubesse o que queria... mas nem isso! Pronto, quero apenas um cepticismo que não sou capaz de abraçar. Quero morrer de sentidos e deixar os sentimentos abandonados.
Não quero ter que sofrer mais e sarar feridas que foram feitas pela minha ignorância, pelo facto de não saber parar. Parar de sonhar de vez em quando. E depois... depois, já está instalada a confusão em mim onde quer que seja... respiro confusão e por mais que me digam que não, sou mesmo uma pessoa complicada.
Confusão naquilo que sinto pelos outros, por mim mesma... sei lá, confusão!!
Existem fases estranhas na vida em que pessoas como eu, frageis de espirito, não conseguem estabilizar a alma, e rumam a tempestades sem dar conta. Voam com o vento sem se aperceberem que necessitam de viver com os pés bem assentes na terra. Não devia ter ilusões e devia viver um dia de cada vez... Pois é isso mesmo, eu vivo de ilusões inventadas por mim! Ora bem... que bonito... chega!
Não quero mais ouvir o coração, pelo menos por agora. Quero estagnar o amor que transbordo e apenas viver, viver, viver... mas espera! Viver sem amor não dá... para viver, é preciso amor! Que ironia! Apenas sei o que um sorriso demonstra, não transparece o que vai na alma. E era isso que precisava dizer a mim mesma.
Precisava e preciso de acordar para algo que me está a escapar pelo facto de se saber procurar e até reinventar problemas emocionais ou o que quer que sejam, pois nem sei qual é o meu problema afinal...
O meu coração vou deixá-lo apenas para as funções vitais, nada mais do que isso... Por mais que seja traiçoeira nossa razão, é a ela que me vou atracar, e viver nela até me cansar de carregar a alma adormecida de sonhos e voos na imaginação. Depois, depois de se ver ... depois, porque é sozinha que a minha alma sonha, e será assim que a deixarei, fora de mim, fora de si.
Existem dias em que estamos aparentemente bem, hoje é um deles. As aparências iludem (me) e continuarão a iludir em dias como este...

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