sexta-feira, junho 30, 2006

Medo


Magoas-me com a serenidade de quem o faz por prazer... Perdes-te em juras de algo que dizes não ser nem querer, mas que descubro por mim mesma serem promessas fúteis.
Regalas beijos ao vento, perdendo-os em luares de meia noite.Entregas-te a paisagens paralelas que te deixam no limbo entre o céu e a terra.
Queria perder de mim aquilo que me magoa, o que me deixa insensivel a tudo e a todos.
A almas que extravazam o nosso sentimento devo a minha angústia, o abandono a que me entregas injustamente, esquecendo-te muitas vezes da única pessoa que sempre esteve a teu lado...
As noites que estou a teu lado são as que me sinto mais sozinha.Porque estás a meu lado mas mais ausente do que nunca.
Corroi-me o ser perceber que não entendes minhas mágoas e muito menos tentas compreender como me sinto sempre que me deixas ao relento quando buscas um porto de abrigo...
Perco-me em ilusões, perdoando-te sempre e cada vez mais, dando-te mil e uma oportunidades para mudar, mas nunca o fazes... porquê?
Simbolizas tudo aquilo que abomino, num ser que sempre idealizei...
Reunes em ti todas as condições para me destruir lenta e tortuosamente...
Sei que nunca conseguirei destruir o amor que sinto por ti enquanto não te destruir... MAS sabes muito bem que nunca, mas mesmo nunca conseguiria te destruir (ainda que saiba que procuras tu próprio a auto-destruição)... Isso seria o teu (ilusoriamente) fim de mim...
Quando te quis, já estava eu marcada por uma outra pessoa, infeliz por mérito meu, tu apenas fizeste novas feridas em cima das minhas cicatrizes por sarar, só que as fizeste muito mais profundas.
Sem ti os dias não passam, as horas arrastam-se e, sem te poder ver grito em silêncio...
Quero a tua lingua de seda mais vezes, quero que me marques o pescoço com sofreguidão... Consegues nesses momentos fazer-me tão feliz! Pelo menos, até te descolares de mim...
Dar-te-ia o mundo para ser tua por mais uma madrugada. Mas as madrugadas nunca vêm a mim... Pertencem a outros seres, muitas vezes em nada superiores a mim! Dou por mim a pensar que sou só eu que não tenho direito a te perder, a te fazer pecar...
Julgo agora ter encontrado um ser que me compreende. Mesmo sem falar consegue ver aquilo que sinto. Eu tambem vejo o que sente. É como se comunicassemos por telepatia ou através de sonhos...
Mesmo assim, não consigo evitar sentir-me sozinha sempre que sais de mim, quando me deixas na prateleira.
Incomoda-me tanto a tua atitude peregrina! Nunca aprendi a lidar com esse teu lado selvagem e indomado. Sempre quis de ti aquilo que não existia e por isso me perdi no horizonte...
Estás a meu lado e não estás. És meu sem o ser. Tenho-te sem te ter tido... E em devaneios, imagino como tudo seria perfeito se pudesse efectuar uma regressão e impedir aquilo que tanto te (nos) atormenta...
Acreditas como eu que tudo seria diferente? Sabes que sim... Talvez não comigo mas seria diferente...
Gostava de olhar para trás e pensar que tudo isto foi um sonho, que nada disto sucedeu...
Tenho tantas saudades do (im)possivel que não voltará a acontecer... Do irreal que eu provei mas sufocou-me.
Em certas circunstâncias, é preferivel a ignoranca á sabedoria...
A crueldade dos teus actos e pensamentos dilacera-me cada vez mais, quando sabes muito bem que a única pessoa lá fui EU...

SÓ E APENAS EU ...

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